Repórter
Publicado em 3 de março de 2026 às 06h00.
Última atualização em 3 de março de 2026 às 07h55.
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã intensificou não apenas o cenário político no Oriente Médio, como também um debate global sobre programas nucleares e os riscos do uso dessa fonte de energia.
Há anos, Washington pressiona o governo de Teerã sobre suas iniciativas com energia nuclear, especialmente pela possibilidade de usá-la para fins militares, diante da rivalidade do país com Israel. Os atritos se agravaram desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA e resultaram em uma nova onda de ataques no Oriente Médio.
No planeta, existem cerca de 12.500 armas nucleares ativas, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU). O dado expõe a distância entre o estoque atual e o objetivo histórico de desarmamento nuclear.
Apesar de iniciativas diplomáticas e tratados multilaterais ao longo das últimas décadas, o ritmo de redução dos arsenais tem sido alvo de questionamentos por parte de representantes internacionais.
Além do atual impasse sobre o programa nuclear iraniano, o governo dos Estados Unidos também já foi questionado sobre suas ações. Em outubro de 2025, Donald Trump anunciou que o país iniciaria testes com armas nucleares, em resposta às mesmas iniciativas adotadas pela Rússia e China.
Na época, a movimentação dos EUA também ocorreu em meio às declarações da Coreia do Norte. Em setembro, o país asiático afirmou que sua condição de Estado com armas nucleares é irreversível. O posicionamento foi reiterado pelo líder Kim Jong-un, que descartou negociações sobre desnuclearização, segundo a mídia estatal.
Pyongyang classificou a pressão dos EUA pela desnuclearização como interferência em assuntos internos e definiu seu programa nuclear como instrumento de defesa diante de ameaças externas. Desde 2006, a Coreia do Norte realizou ao menos seis testes nucleares e, em 2022, aprovou lei que formaliza sua política nuclear.
Os números sobre estoques variam de acordo com a metodologia adotada por centros de pesquisa e organizações internacionais. Dados da Nuclear Threat Initiative, organização dedicada à redução de ameaças nucleares e biológicas, indicam a seguinte distribuição entre os países com maior número de ogivas confirmadas:
A Rússia concentra 1.822 ogivas implantadas e um total estimado de 5.580 armas, quando consideradas ogivas armazenadas ou aguardando desmantelamento. O país também possui 521 mísseis balísticos intercontinentais, conhecidos como ICBMs, além de mísseis lançados por submarinos, os SLBMs, e ogivas destinadas a bombardeiros estratégicos.
Os EUA mantêm 1.679 ogivas implantadas. O total pode chegar a 5.328 unidades quando incluídas ogivas não operacionais.
A China possui cerca de 600 ogivas nucleares e aproximadamente 134 ICBMs com capacidade nuclear.
O arsenal francês é estimado em 290 ogivas.
O Reino Unido possui aproximadamente 225 ogivas nucleares.
O país sul-asiático mantém cerca de 170 ogivas.
A Índia possui aproximadamente 160 ogivas nucleares.
Segundo a emissora americana CNN, especialistas estimam que Israel possua cerca de 90 armas nucleares, embora o país não confirme oficialmente.
Além dos testes nucleares realizados desde 2006, estimativas indicam que o país detenha entre 35 e 65 ogivas. Em 2017, o regime afirmou ter testado com sucesso um míssil balístico intercontinental.
O acordo nuclear firmado em 2015 previa limites ao programa nuclear iraniano em troca da suspensão de sanções. A Agência Internacional de Energia Atômica informou que o Irã elevou o enriquecimento de urânio a 60% de pureza, nível próximo aos cerca de 90% associados a armamentos.
Países ocidentais sustentam que tal percentual não se justifica para fins civis, enquanto Teerã afirma que seu programa tem finalidade pacífica.
Em 2025, Israel e Estados Unidos bombardearam instalações nucleares do Irã, o que atrasou o programa nuclear iraniano, mas não há informações precisas sobre seu estado atual.
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