Venezuela: operação militar dos Estados Unidos capturou Nicolás Maduro e abriu nova fase de tensão política. (Montagem/EXAME)
Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 07h54.
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada do último sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
Com Maduro preso, o Supremo Tribunal venezuelano determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse como presidente interina. As Forças Armadas reconheceram a decisão e declararam apoio ao decreto de “agitação externa”, que amplia os poderes do Estado em situação de conflito.
A presidente interina se ofereceu para colaborar com os Estados Unidos em uma agenda de “desenvolvimento compartilhado”, defendendo relações respeitosas com Washington dentro do direito internacional.
Trump, porém, afirmou que os Estados Unidos estarão “no comando” da Venezuela por um período indefinido. Ele descartou a realização de eleições no curto prazo e disse que membros de seu governo — incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth — teriam papel direto na administração do país.
Especialistas avaliam que a ameaça externa pode fortalecer politicamente Delcy Rodríguez ou, alternativamente, abrir espaço para uma maior influência militar interna.
A crise tem como pano de fundo o petróleo. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris. Trump afirmou exigir “acesso total” aos recursos naturais do país e disse que grandes petrolíferas americanas investirão bilhões de dólares para reconstruir a indústria venezuelana.
No curto prazo, os mercados reagiram com queda nos contratos futuros do petróleo, diante da incerteza sobre oferta e estabilidade. Analistas avaliam que a produção pode sofrer interrupções iniciais, mas que, no longo prazo, investimentos estrangeiros podem elevar a produção e pressionar os preços internacionais — ainda que esse processo seja lento e custoso.
Atualmente, a produção venezuelana está em torno de 800 mil barris por dia, bem abaixo dos níveis registrados no fim dos anos 1990.
A ofensiva americana gerou forte reação diplomática. Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta alertando contra qualquer tentativa de controle externo de recursos estratégicos. O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência, com apoio de Rússia e China.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a ação como uma afronta gravíssima à soberania venezuelana e uma violação do direito internacional, alertando para o risco de desestabilização regional. Especialistas apontam que o episódio representa um ponto de inflexão na segurança sul-americana, ao envolver um grande país do continente e ocorrer sem aval de organismos multilaterais.
Para o Brasil, a crise deixa de ser apenas diplomática ou humanitária e passa a ter um componente militar mais sensível, em um contexto de fragilidade dos mecanismos regionais de coordenação e segurança.