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Vamos 'consertar' indústria de petróleo da Venezuela, diz Trump

Presidente dos EUA diz que petrolíferas americanas investirão bilhões no país

Trump: interesse no petróleo venezuelano foi confirmado (Andrew Caballero-Reynolds/Getty Images)

Trump: interesse no petróleo venezuelano foi confirmado (Andrew Caballero-Reynolds/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 14h37.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na manhã deste sábado, 3, que as forças militares do país fizeram um “ataque em larga escala” à Venezuela. Os norte-americanos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

A operação militar é o ápice da crescente tensão entre os dois países. Em 2025, os EUA bombardearam ao menos 20 embarcações no Caribe que estariam carregando drogas para o país norte-americano, segundo o governo Trump.

Apesar da pressão, os objetivos finais da estratégia de Trump ainda não estão totalmente claros. A Casa Branca sustenta que a ofensiva responde a uma combinação de fatores estratégicos, que vão do combate ao narcotráfico à disputa por petróleo.

Em entrevista ao Fox News, o republicano afirmou que os EUA se envolverão ainda mais na indústria petrolífera da Venezuela após a operação que capturou Maduro. Mais tarde, em coletiva, Trump não estabeleceu um prazo para a ocupação americana e nem como ela acontecerá, mas disse que as companhias petrolíferas americanas começariam a gerar lucro para o país, que detém 17% das reservas mundiais conhecidas.

“Vamos fazer com que as empresas de petróleo dos EUA, muito grandes, as maiores do mundo, entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura petrolífera, e comecem a gerar dinheiro para o país, e estamos prontos para realizar um segundo e muito maior ataque, se precisarmos”, afirmou.

O petróleo da Venezuela

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, e analistas ouvidos pela Reuters avaliam que o acesso a esses recursos pode se tornar uma importante moeda de barganha nas negociações com Washington.

Algumas empresas ocidentais seguem operando no país, entre elas a americana Chevron, que atua sob licença especial. Ainda assim, a indústria petrolífera venezuelana sofre com anos de sanções, queda de produção e falta de investimentos, equipamentos e peças.

Especialistas afirmam que, mais do que o petróleo em si, o incômodo central para Trump é a existência, no hemisfério ocidental, de um país rico em petróleo, minerais e terras raras alinhado a rivais estratégicos dos EUA, como China e Rússia.

Trump anunciou em dezembro um bloqueio naval a "navios petroleiros sancionados" que saem ou se dirigem à Venezuela. A medida impôs uma escalada adicional à sua campanha americana contra Caracas.

A medida foi divulgada pelo presidente quase uma semana após a apreensão de um petroleiro na costa venezuelana. Há anos a Venezuela tem mais de 90% de sua receita dependente da exportação de petróleo bruto. Hoje, a China é a maior compradora, representando cerca de 4% de suas importações.

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