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Do combate ao apartheid ao Nobel da Paz de 2026: quem é Navi Pillay?

Jurista sul-africana foi premiada por sua atuação em defesa do direito internacional e na responsabilização por crimes de guerra e genocídio

Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz de 2026, foi alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e atuou em tribunais internacionais (Fabrice COFFRINI / AFP)

Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz de 2026, foi alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e atuou em tribunais internacionais (Fabrice COFFRINI / AFP)

Publicado em 9 de outubro de 2026 às 06h19.

Última atualização em 9 de outubro de 2026 às 06h28.

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A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay foi anunciada nesta sexta-feira, 9, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, em reconhecimento aos esforços para promover a paz e o direito internacional.

Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, Pillay teve papel fundamental na responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Sua trajetória inclui a defesa de Nelson Mandela durante o apartheid e a atuação em importantes tribunais internacionais.

Quem é Navi Pillay?

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem indiana tâmil, Navi Pillay cresceu durante o regime do apartheid. Tornou-se advogada e ganhou destaque no combate à discriminação racial e à segregação, tendo atuado na defesa de Nelson Mandela e de outros opositores do regime.

Ao longo da carreira, ocupou cargos em algumas das principais instituições jurídicas internacionais. Foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, do Tribunal Penal Internacional e de um tribunal superior da África do Sul.

Também exerceu o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e presidiu, até recentemente, a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados.

Atualmente, atua como juíza na Corte Internacional de Justiça, no processo em que Mianmar é acusado de genocídio.

Entre suas principais contribuições está a atuação no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que estabeleceu que estupro e violência sexual podem constituir crimes contra a humanidade e genocídio.

Pillay também teve papel importante em um precedente jurídico que permitiu responsabilizar um acusado por incitação ao genocídio por meio de propaganda.

Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, a trajetória da jurista contribuiu para ampliar o alcance do direito internacional e fortalecer mecanismos de responsabilização por violações dos direitos humanos.

Quais mulheres já venceram o Nobel da Paz?

Com a premiação de Navi Pillay em 2026, o número de mulheres que conquistaram o Prêmio Nobel da Paz chegou a 21. Ao todo, 113 pessoas receberam a honraria desde sua criação, em 1901.

A primeira mulher a conquistar o prêmio foi Bertha von Suttner, em 1905, reconhecida por sua oposição às guerras. Desde então, outras mulheres foram premiadas por iniciativas relacionadas à defesa dos direitos humanos, à democracia, ao desarmamento e à promoção da paz.

Entre as vencedoras estão Malala Yousafzai, premiada em 2014 por sua defesa do direito à educação, e María Corina Machado, vencedora de 2025 por sua atuação em defesa da democracia na Venezuela.

Confira a lista completa de mulheres vencedoras do Nobel da Paz, em ordem cronológica:

  • 1905 – Bertha von Suttner: pela oposição às guerras e defesa da paz.
  • 1931 – Jane Addams: pelos esforços para promover o ideal da paz.
  • 1946 – Emily Greene Balch: pelo trabalho dedicado à causa da paz ao longo da vida.
  • 1976 – Betty Williams: pela criação de um movimento para encerrar o conflito violento na Irlanda do Norte.
  • 1976 – Mairead Corrigan: pela atuação no movimento pacifista da Irlanda do Norte.
  • 1979 – Madre Teresa de Calcutá: pelo trabalho de assistência a pessoas em situação de sofrimento.
  • 1982 – Alva Myrdal: pela atuação em favor do desarmamento e da criação de zonas livres de armas nucleares.
  • 1991 – Aung San Suu Kyi: pela luta não violenta em defesa da democracia e dos direitos humanos.
  • 1992 – Rigoberta Menchú Tum: pela defesa da justiça social e dos direitos dos povos indígenas.
  • 1997 – Jody Williams: pela campanha contra minas terrestres antipessoais.
  • 2003 – Shirin Ebadi: pela defesa da democracia e dos direitos humanos, especialmente de mulheres e crianças.
  • 2004 – Wangari Maathai: pela contribuição ao desenvolvimento sustentável, à democracia e à paz.
  • 2011 – Ellen Johnson Sirleaf: pela luta não violenta pela segurança das mulheres e sua participação na construção da paz.
  • 2011 – Leymah Gbowee: pela defesa dos direitos das mulheres e de sua participação nos processos de paz.
  • 2011 – Tawakkol Karman: pela luta não violenta pelos direitos das mulheres.
  • 2014 – Malala Yousafzai: pela defesa dos direitos das crianças e do acesso à educação.
  • 2018 – Nadia Murad: pela luta contra o uso da violência sexual como arma de guerra.
  • 2021 – Maria Ressa: pela defesa da liberdade de expressão como condição para a democracia e a paz.
  • 2023 – Narges Mohammadi: pela luta contra a opressão das mulheres no Irã e em defesa dos direitos humanos.
  • 2025 – María Corina Machado: pela defesa dos direitos democráticos na Venezuela e de uma transição pacífica para a democracia.
  • 2026 – Navi Pillay: pelos esforços para promover a paz e o direito internacional.

Quem foram os últimos vencedores do Nobel da Paz?

O Prêmio Nobel da Paz foi concedido 107 vezes entre 1901 e 2026, reconhecendo 144 laureados, entre eles 113 pessoas e 31 premiações a organizações.

Ao longo da história, o prêmio reconheceu iniciativas de combate às guerras, defesa dos direitos humanos, promoção da democracia, desarmamento e cooperação internacional.

  • 2026: Navi Pillay, por seus esforços para promover a paz e o direito internacional.
  • 2025: María Corina Machado, pela defesa dos direitos democráticos na Venezuela e por uma transição pacífica para a democracia.
  • 2024: Nihon Hidankyo, pelo trabalho contra as armas nucleares e pela preservação dos testemunhos de sobreviventes das bombas atômicas.
  • 2023: Narges Mohammadi, pela luta contra a opressão das mulheres no Irã e em defesa dos direitos humanos.
  • 2022: Ales Bialiatski, Memorial e Centro para as Liberdades Civis, pela defesa da sociedade civil e documentação de crimes de guerra e violações dos direitos humanos.
  • 2021: Maria Ressa e Dmitry Muratov, pela defesa da liberdade de expressão.
  • 2020: Programa Mundial de Alimentos (PMA), pelo combate à fome e pela contribuição à paz em regiões afetadas por conflitos.
  • 2019: Abiy Ahmed Ali, pelos esforços de paz e pela resolução do conflito fronteiriço entre Etiópia e Eritreia.
  • 2018: Denis Mukwege e Nadia Murad, pela luta contra o uso da violência sexual como arma de guerra.
  • 2017: Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (ICAN), pela mobilização em favor da proibição das armas nucleares.
  • 2016: Juan Manuel Santos, pelos esforços para encerrar a guerra civil na Colômbia.
  • 2015: Quarteto para o Diálogo Nacional da Tunísia, pela contribuição à construção de uma democracia pluralista no país.
  • 2014: Kailash Satyarthi e Malala Yousafzai, pela defesa dos direitos das crianças e do acesso à educação.
  • 2013: Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), pelos esforços para eliminar armas químicas.
  • 2012: União Europeia, pela promoção da paz, da reconciliação, da democracia e dos direitos humanos na Europa.
  • 2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee e Tawakkol Karman, pela luta não violenta pelos direitos das mulheres e sua participação na construção da paz.
  • 2010: Liu Xiaobo, pela luta pacífica em defesa dos direitos humanos na China.
  • 2009: Barack Obama, pelos esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos.
  • 2008: Martti Ahtisaari, pela atuação na resolução de conflitos internacionais.
  • 2007: Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e Al Gore, pela divulgação de conhecimentos sobre as mudanças climáticas e seus impactos.
  • 2006: Muhammad Yunus e Grameen Bank, pela promoção do desenvolvimento econômico e social a partir das comunidades.
  • 2005: Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Mohamed ElBaradei, pelos esforços para impedir o uso militar da energia nuclear e promover seu uso seguro para fins pacíficos.
  • 2004: Wangari Maathai, pela contribuição ao desenvolvimento sustentável, à democracia e à paz.
  • 2003: Shirin Ebadi, pela defesa da democracia e dos direitos humanos, especialmente de mulheres e crianças.
  • 2002: Jimmy Carter, pela atuação na resolução pacífica de conflitos, promoção da democracia e desenvolvimento econômico e social.
  • 2001: Organização das Nações Unidas (ONU) e Kofi Annan, pelo trabalho em favor de um mundo mais organizado e pacífico.
  • 2000: Kim Dae-jung, pela defesa da democracia e dos direitos humanos na Coreia do Sul e pelos esforços de reconciliação com a Coreia do Norte.

Por que o Nobel da Paz é entregue na Noruega?

O Prêmio Nobel da Paz é o único dos cinco prêmios originais criados por Alfred Nobel cuja escolha dos vencedores ficou sob responsabilidade de uma instituição norueguesa, e não sueca.

Em seu testamento, o inventor determinou que o prêmio fosse concedido por um comitê de cinco integrantes escolhido pelo Parlamento da Noruega, o Storting. Os primeiros prêmios foram entregues em 1901.

A razão para essa decisão, porém, nunca foi explicada por Nobel. Uma das hipóteses é que a escolha tenha sido influenciada pela união política entre Suécia e Noruega, que durou até 1905.

Outra possibilidade é que o inventor considerasse a Noruega mais comprometida com a resolução pacífica de conflitos internacionais naquele período.

A premiação reconhece iniciativas voltadas à paz, à cooperação entre países e, ao longo de sua história, também passou a contemplar a defesa dos direitos humanos e da democracia.

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