Redação Exame
Publicado em 26 de dezembro de 2025 às 07h22.
A China anunciou nesta sexta-feira, 26, sanções contra 20 empresas americanas do setor de Defesa e contra dez de seus executivos por "participar do fornecimento de armas a Taiwan durante os últimos anos".
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores chinês confirmou que as sanções estão vigentes a partir desta sexta-feira contra empresas americanas como Boeing, Northrop Grumman Systems, L3Harris e VSE.
A chancelaria chinesa advertiu em outro texto que "a questão de Taiwan é o cerne dos interesses fundamentais da China e a primeira linha vermelha que não deve ser cruzada" nas relações entre Pequim e Washington.
As sanções incluem, entre outras disposições, a proibição de realizar novos investimentos na China, restrições à cooperação com entidades chinesas e o congelamento de ativos que possam estar sob jurisdição do país asiático.
O Ministério das Relações Exteriores não detalhou o alcance econômico concreto das medidas nem o volume de operações das empresas afetadas no mercado chinês, mas ressaltou que "qualquer entidade ou indivíduo que participe da venda de armas a Taiwan deverá pagar o preço de seus erros".
Segundo o anúncio, as medidas são adotadas com base na Lei de Sanções Estrangeiras da China. A chancelaria chinesa acusou Washington de "enviar sinais errôneos" às forças favoráveis à independência da ilha e instou os Estados Unidos a "interromperem imediatamente" suas "ações perigosas".
O comunicado afirma que a China "continuará adotando medidas firmes e contundentes" para "proteger sua soberania, sua segurança e sua integridade territorial".
O anúncio das sanções ocorre em um contexto de crescente tensão entre as duas potências por Taiwan, após o presidente americano, Donald Trump, assinar recentemente a Lei de Autorização de Defesa Nacional para 2026, que prevê cerca de US$ 1 bilhão a iniciativas de cooperação em segurança com a ilha e reforça o marco legal para futuras vendas de armamento a Taipei.
As contramedidas chinesas chegam, além disso, em um momento de incerteza em torno da última notificação americana de possíveis vendas de armamento a Taiwan, por um valor aproximado de US$ 11,1 bilhões, que inclui sistemas de artilharia, mísseis e equipamentos de apoio.
Embora Washington já tenha concluído o trâmite de notificação ao Congresso, a operação ainda requer etapas administrativas posteriores e sua execução depende, do lado taiwanês, da aprovação de um orçamento especial de Defesa que permanece bloqueado no Parlamento da ilha, onde a oposição controla a maioria.
A China considera Taiwan uma "parte inalienável" de seu território e não descarta o uso da força para alcançar a "reunificação", uma postura rejeitada pelo governo taiwanês, que sustenta que apenas os habitantes da ilha podem decidir seu futuro político.
Os Estados Unidos, por sua vez, não mantêm relações diplomáticas com Taiwan, mas são seu principal fornecedor de armas e mantêm uma política de ambiguidade estratégica sobre uma eventual intervenção em caso de conflito.
*Com informações de EFE