Mundo

Cessar-fogo entra no 3º dia com ataques de Israel ao Líbano e impasse sobre Ormuz

Acusações de violação, impasse sobre petróleo e tensão regional ameaçam negociações

Publicado em 10 de abril de 2026 às 06h32.

Última atualização em 10 de abril de 2026 às 07h29.

Após 43 dias de guerra, o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã entrou em sua fase mais frágil às vésperas das negociações previstas em Islamabad.

O acordo, anunciado pelo presidente Donald Trump, passa por questionamentos sobre seu cumprimento e sofre pressão com novos ataques na região, principalmente por parte de Israel no Líbano.

Segundo a Reuters, a trégua mostra sinais claros de desgaste menos de 48 horas após entrar em vigor. Washington acusa Teerã de não cumprir o compromisso de reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto o Irã afirma que o acordo foi violado por ataques israelenses no Líbano.

Trump disse que o Irã está fazendo um “trabalho muito deficiente” ao permitir a passagem de petróleo pela rota e voltou a pressionar pela normalização do fluxo.

Ao mesmo tempo, indicou que o petróleo “vai voltar a fluir”, sem detalhar possíveis ações americanas.

Do lado iraniano, autoridades afirmam que não haverá avanço enquanto os ataques no Líbano continuarem.

Ormuz segue praticamente fechado

O tráfego no Estreito de Ormuz continua muito abaixo do normal, mantendo o impacto direto sobre a oferta global de energia.

Nas primeiras 24 horas da trégua, apenas um petroleiro e poucos cargueiros atravessaram a rota, que antes da guerra concentrava cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás.

Navios seguem acumulados nas proximidades do Golfo, à espera de segurança e clareza sobre as condições de passagem. Há também relatos de que o Irã avalia impor taxas para embarcações, o que elevaria ainda mais o custo do transporte marítimo.

A paralisação parcial da rota continua sendo o principal fator de pressão sobre os mercados e sobre as negociações diplomáticas.

Líbano se torna principal foco de tensão

Israel realizou novos ataques no país, incluindo bombardeios de grande escala, enquanto o Hezbollah respondeu com lançamentos de mísseis contra o norte de Israel.

As Forças de Defesa israelenses afirmaram ter atingido posições do grupo, enquanto sirenes foram acionadas em cidades israelenses após novos disparos.

Irã e Paquistão, mediador do acordo, sustentam que o Líbano deveria estar incluído na trégua. A divergência amplia o impasse e dificulta a sustentação do cessar-fogo.

Novas ofensivas também foram registradas no Golfo. Kuwait e Arábia Saudita denunciaram ataques contra infraestruturas energéticas, enquanto o Irã negou envolvimento direto e afirmou que suas forças não realizaram ofensivas desde o início da trégua.

Teerã sugeriu que, caso confirmados, os ataques podem ter sido conduzidos por adversários, em referência indireta a Israel e aos Estados Unidos.

Negociações ameaçadas em Islamabad

As negociações entre Estados Unidos e Irã estão previstas para começar no sábado, no Paquistão, com o objetivo de transformar a trégua em um acordo mais amplo.

No entanto, o Irã já indicou que pode não participar das conversas enquanto os ataques no Líbano continuarem. Autoridades afirmam que as negociações seguem suspensas até que haja um cessar-fogo efetivo em todas as frentes.

O impasse ocorre mesmo após a apresentação de uma proposta iraniana de dez pontos, que inclui manutenção do controle sobre Ormuz, reconhecimento do direito ao enriquecimento nuclear e suspensão de sanções.

O conflito já deixou mais de 5.500 mortos em toda a região, com impactos diretos sobre a infraestrutura energética e o comércio global.

Acompanhe tudo sobre:GuerrasIrã - PaísIsraelLíbano

Mais de Mundo

Tumba de 3.000 anos é descoberta no sul do Egito

EUA iniciam nova rodada de ataques ao Irã neste domingo

Incêndio em casa noturna na Tailândia mata ao menos 27 pessoas

Mortes em terremotos na Venezuela sobem para 4.490