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Estreito de Ormuz: entenda por que a reabertura aos navios deve demorar

Cessar-fogo levantou esperanças, mas abertura total da passagem segue incerta conforme negociações de paz revelam desacordos

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Publicado em 10 de abril de 2026 às 06h01.

Última atualização em 10 de abril de 2026 às 15h29.

O Estreito de Ormuz, importante via marítima por onde circula 20% do petróleo mundial, permanece fechado pelo Irã desde o início das hostilidades com os EUA e Israel.

O recente cessar-fogo, acordado entre o Irã e os EUA com duração de duas semanas, trouxe uma trégua ao conflito, que foi recebida como um alívio bem-vindo para a economia mundial. Todavia, obstáculos e incertezas permeiam o acordo, como a continuação de ataques israelenses no Líbano e questões de segurança ao redor de Ormuz.

Funcionalmente, o estreito continuava com barreiras até a noite de quinta-feira, 9, apesar do Irã ter anunciado, nesta terça, 7, que reabriria a passagem durante o cessar-fogo. Mesmo assim, uma miríade de fatores continua impedindo o tráfego normal pelo estreito.

Medo de minas

Um dos principais receios envolve minas submarinas: a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) publicou um comunicado nessa quinta, 9, anunciando o que chama de “rotas alternativas” – percursos mais próximos à costa do Irã – exclusivamente em suas águas territoriais, sobre as quais tem jurisdição – que estariam livres desses armamentos.

O comunicado diz: “Todas as embarcações que pretendem transitar pelo Estreito de Ormuz ficam, desde já, notificadas de que, para cumprir os princípios da segurança marítima e para se protegerem de possíveis colisões com minas marítimas, [Embarcações] deveriam usar rotas alternativas para o tráfego no Estreito de Ormuz”, concluiu o relatório, indicando que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) deseja direcionar o tráfego marítimo por esse estreito, apura a EuroNews.

Além disso, por mais que os termos do cessar-fogo incluam uma reabertura do estreito, navios presos em suas águas continuam recebendo ameaças de ataque e destruição caso decidam atravessar Ormuz sem autorização explícita do Irã.

Às 10 da manhã, horário de Brasília, nessa quinta, 9, apenas 11 navios foram confirmados que fizeram a passagem, por mais que outras embarcações possam ter passado ao desligar seus radares e sistemas de rastreio. Isso se contrasta com a média de 138 embarcações que atravessavam o estreito por dia antes da guerra. Analistas acreditam que, mesmo com as garantias de segurança do Irã, navios presos no estreito ainda demorarão a ganhar confiança para completar a passagem.

Questões logísticas

A confusão se intensifica ainda mais, já que o Irã anunciou que poderia passar a cobrar ‘pedágios’ de navios que buscam passagem pelo estreito, em conjunto com o Omã (por mais que o país negue participação na coleta de dinheiro).

A administração iraniana reitera que a navegação só será possível “por meio da coordenação com as Forças Armadas iranianas e com consideração das limitações técnicas”, que abrangem desde custos de navegação a questões logísticas de movimentar as 800 embarcações de grande porte, totalmente carregadas, pelo estreito.

O anúncio das taxas adicionais foi recebido com ultraje global, já que navios nunca tiveram que pagar para usar a passagem. Por mais que seja considerada rígida, a medida vem em resposta à violência no Líbano, conforme o Irã adota uma postura mais resistente em relação aos EUA e demonstra que ainda é capaz de controlar o estreito e ditar condições de passagem.

"A ambiguidade política persiste: declarações conflitantes entre EUA e Irã sobre o status de Ormuz e a ausência de protocolos criaram incerteza operacional. Armadores e operadores aguardam detalhes técnicos dos EUA e do Irã sobre como transitar pelo Estreito de Ormuz com segurança", diz Leonard Fisher-Matthews, responsável pela precificação de fretes na Europa da empresa Argus, que analisa os preços brutos de várias commodities.

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