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Assembleia Geral da ONU terá 71 chefes de Estado e 45 de governo; veja o que esperar

Tradicionalmente responsável pela abertura dos debates, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro líder a discursar

Assembleia-Geral da ONU, em Nova York (Leandro Fonseca/Exame)

Assembleia-Geral da ONU, em Nova York (Leandro Fonseca/Exame)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 05h40.

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A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas começa nesta terça-feira, em Nova York, e terá a participação de mais de 120 líderes mundiais na sede da ONU.

Segundo a organização, estarão presentes 71 chefes de Estado, 45 chefes de governo e 11 vice-presidentes durante os debates de alto nível que acontecem entre esta terça-feira e a próxima segunda-feira, 28.

Além dos principais líderes políticos, a programação contará ainda com discursos de 50 ministros e de um príncipe herdeiro.

Tradicionalmente responsável pela abertura dos debates, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro líder a discursar. Na sequência, estão previstas as falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do rei Abdullah II, da Jordânia, e do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Entre os chefes de governo e Estado confirmados também estão o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian; e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Reuniões bilaterais movimentam evento

Um dos destaques da Assembleia Geral será a intensa agenda diplomática paralela aos discursos. Ao todo, estão programadas 1.553 reuniões bilaterais entre representantes das delegações, além dos encontros que serão realizados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, ao longo da semana.

A expectativa é que diversas negociações e encontros estratégicos ocorram nos bastidores da conferência. Entre eles, ganha atenção a reunião prevista entre Donald Trump e Delcy Rodríguez, menos de um ano após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que está detido em Nova York desde janeiro.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, participará do evento por videoconferência. A decisão ocorre após os Estados Unidos negarem o visto solicitado pelo líder palestino para entrada no país.

Conflitos globais e inteligência artificial estarão no centro dos debates

A sede das Nações Unidas receberá pelo menos 166 eventos paralelos durante a semana da Assembleia Geral, reunindo autoridades, diplomatas e representantes da sociedade civil de diferentes países.

Entre os temas que devem dominar as discussões estão o conflito no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e os desafios provocados pelo avanço da inteligência artificial. A expectativa é que esses assuntos estejam entre os principais pontos da agenda da 81ª sessão da Assembleia Geral, que reúne líderes de todo o mundo para discutir questões de segurança, desenvolvimento e cooperação internacional.

Por que o Brasil abre a Assembleia-Geral da ONU

A explicação mais aceita é que, nos primeiros anos da ONU, poucos países queriam ser os primeiros a discursar. O Brasil se ofereceu repetidamente para abrir os trabalhos, e esse costume acabou sendo incorporado ao protocolo da entidade. Desde 1955, a prática foi consolidada e o representante brasileiro passou a ser o primeiro chefe de Estado a falar na Assembleia Geral, seguido pelo representante dos Estados Unidos, país-sede da ONU.

Outro fator apontado por historiadores e diplomatas é o contexto da Guerra Fria. Escolher o Brasil para abrir os debates ajudava a evitar que Estados Unidos ou União Soviética tivessem o protagonismo inicial do encontro, reduzindo tensões políticas entre as duas potências.

Há ainda teorias complementares que relacionam a tradição ao prestígio internacional conquistado pelo diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu uma sessão histórica da Assembleia Geral em 1947, e também à posição do Brasil como um país visto historicamente como conciliador e defensor do multilateralismo

Com informações da EFE

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