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IA pode ajudar a adaptar o currículo, mas a candidatura precisa continuar fiel à experiência do profissional. (tommy/Getty Images)
Redatora
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 05h02.
Uma vaga pode receber dezenas ou centenas de candidaturas antes mesmo de o recrutador começar a analisá-las.
Para lidar com esse volume, empresas utilizam sistemas de rastreamento de candidatos, conhecidos como ATS, que organizam as inscrições e podem identificar competências, experiências e informações relacionadas aos requisitos da vaga.
Algumas soluções já usam inteligência artificial para fazer avaliações iniciais. Isso muda também a forma como o candidato pode usar a própria IA. Vale utilizá-la para entender melhor uma oportunidade, identificar lacunas na candidatura e tornar a experiência profissional mais clara.
Antes de pedir qualquer alteração no currículo, copie a descrição da oportunidade para a IA e solicite uma análise dos requisitos. A ferramenta pode separar competências técnicas, experiências, ferramentas, formação e outros critérios mencionados pelo empregador.
O cuidado está em não transformar essa análise em uma lista de palavras para inserir artificialmente no documento.
Sistemas de triagem podem considerar não apenas termos isolados, mas também cargos, habilidades e a forma como a experiência é descrita.
Uma boa pergunta seria: “Quais requisitos desta vaga aparecem no meu currículo e quais estão ausentes?”. Assim, a IA funciona como uma segunda leitura antes do envio.
A partir da comparação, peça sugestões para reorganizar as informações que você realmente possui. Se a vaga pede experiência com determinada ferramenta e ela aparece no seu histórico, a IA pode ajudar a deixar essa experiência mais evidente.
O mesmo vale para resultados. O seu currículo pode explicar quais atividades foram realizadas, quais ferramentas foram utilizadas e quais resultados foram obtidos, desde que essas informações sejam verdadeiras.
A própria Indeed recomenda adaptar o conteúdo à vaga e usar palavras-chave relevantes, além de manter uma estrutura simples e fácil de interpretar por softwares de triagem.
Um currículo visualmente elaborado pode não ser a melhor escolha para uma candidatura que será processada por um sistema. Formatação simples, seções claramente identificadas e texto legível facilitam a interpretação automatizada.
A IA também pode revisar o documento em busca de informações pouco claras, repetições ou descrições genéricas. O candidato, porém, deve conferir a versão final. Uma ferramenta pode reorganizar o texto, mas não conhece automaticamente a realidade da sua trajetória.
Usar IA para inserir instruções escondidas no currículo ou manipular uma ferramenta de seleção pode produzir o efeito contrário. A Indeed relatou, em 2026, que sistemas de recrutamento passaram a ser testados contra técnicas de prompt injection, nas quais candidatos inserem comandos no currículo para tentar influenciar a avaliação automatizada.
Também é preciso desconfiar da ideia de que toda candidatura passa por uma IA que simplesmente elimina currículos com poucas palavras-chave. As empresas utilizam tecnologias diferentes, e nem todo processo seletivo automatiza a triagem da mesma maneira.
Existe ainda uma mudança importante: usar a tecnologia para reduzir candidaturas pouco relevantes, e não apenas aumentar o número de inscrições.
Em 2026, o Indeed chegou a testar uma função chamada Apply For Me, capaz de ajudar candidatos a enviar aplicações automaticamente.
Após o teste, a empresa pausou o modo de candidatura automática e passou a priorizar uma experiência em que o usuário revisa as aplicações antes do envio. A decisão veio após o aprendizado com o uso da ferramenta e reforça uma questão prática: velocidade não substitui relevância.