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Após ataques, Arábia Saudita retoma capacidade de oleoduto alternativa a Ormuz

Riad afirma que infraestrutura energética voltou a operar após ofensiva iraniana no Golfo; recuperação ocorre em meio a trégua frágil na guerra com EUA e Israel

Imagem aérea do subúrbio industrial de Yanbu, na Arábia Saudita em 2024 (PATRICK HERTZOG/Getty Images)

Imagem aérea do subúrbio industrial de Yanbu, na Arábia Saudita em 2024 (PATRICK HERTZOG/Getty Images)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 12 de abril de 2026 às 11h06.

Última atualização em 12 de abril de 2026 às 11h11.

A Arábia Saudita afirmou neste domingo, 12, que restabeleceu a capacidade operacional do oleoduto leste-oeste, sua principal infraestrutura de petróleo, e de instalações estratégicas de energia após os ataques atribuídos ao Irã durante o conflito no Golfo. A informação foi divulgada pelo Ministério da Energia e pela agência oficial Saudi Press Agency (SPA).

"As instalações de energia e o oleoduto leste-oeste danificados pelos ataques se recuperaram e retomaram sua capacidade operacional, aumentando a confiabilidade do abastecimento", diz o governo saudita.

O oleoduto leste-oeste — uma das principais rotas alternativas ao Estreito de Ormuz — voltou a operar com capacidade total de cerca de 7 milhões de barris por dia.

Antes disso, os ataques haviam provocado a “perda de aproximadamente 700.000 barris por dia de capacidade de bombeamento no oleoduto leste-oeste”, segundo o governo saudita.

Além disso, a produção no campo de Manifa, afetada pela ofensiva, foi totalmente recuperada, enquanto os trabalhos continuam para restabelecer a capacidade plena no campo de Khurais.

A retomada ocorre poucos dias após o início de uma trégua de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, após seis semanas de confrontos que incluíram ataques a infraestruturas energéticas em países do Golfo.

As negociações do sábado, 11, falharam e o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a escalar a retórica sobre o fechamento do estreito de Ormuz.

Antes da pausa nas hostilidades, Teerã havia mirado ativos considerados críticos para a produção e o transporte de petróleo na região.

Segundo a AFP, o Irã acusou países do Golfo de permitirem o uso de seus territórios por forças americanas durante a guerra iniciada após ataques de Israel e dos EUA contra alvos iranianos em 28 de fevereiro. As monarquias da região negam as acusações.

Durante o conflito, a infraestrutura energética saudita foi diretamente atingida. Um funcionário do Ministério da Energia afirmou à SPA que uma das estações de bombeamento do oleoduto foi danificada.

Instalações em Riad, na Província Oriental e na cidade industrial de Yanbu, além de estruturas ligadas à produção, transporte e refino de petróleo, também foram alvo dos ataques.

Oleoduto essencial

O sistema de oleodutos — com cerca de 1.200 quilômetros — tornou-se crucial durante a guerra ao permitir o escoamento de petróleo pelo Mar Vermelho, enquanto o Irã restringia o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela relevante do comércio global de energia.

Na sexta-feira, 10, o governo saudita confirmou que os ataques afetaram a capacidade de produção e deixaram vítimas. Ao todo, três pessoas morreram no país desde o início do conflito, sendo uma delas em decorrência direta dos ataques à infraestrutura energética.

A rápida recuperação, segundo o Ministério da Energia, demonstra a resiliência operacional da Saudi Aramco e do sistema energético do país, além de reforçar a confiabilidade da oferta de petróleo para os mercados globais em um momento de elevada tensão geopolítica.

Com informações da Saudi Press Agency (SPA) e da AFP

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