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O plano da Microsoft para uma IA poderosa — mas que pode ser desligada

Documento de 37 páginas estabelece que modelos MAI devem ser corrigíveis, interruptíveis e não podem simular consciência; entenda

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 14h14.

Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 14h37.

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RESUMO | A Microsoft publicou nesta segunda-feira, 14 de setembro, um Código de Conduta para IA Humanista que exige que seus modelos MAI possam ser interrompidos, corrigidos e desligados por humanos. O rascunho de 37 páginas ficará em consulta pública por seis semanas. Segundo Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, modelos que não cumprirem esses requisitos não serão lançados.


A Microsoft publicou nesta segunda-feira, 14, um "Código de Conduta para IA Humanista", documento de 37 páginas que exige que seus modelos de inteligência artificial (IA), batizados de MAI, sejam sempre interruptíveis, corrigíveis e passíveis de serem desligados por um humano — "se não for, não lançamos", determina o texto.

O documento é um rascunho aberto para consulta pública por seis semanas, e resume seu princípio central em uma frase direta: "pessoas importam mais do que IA".

Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, anunciou o documento no X. "Isso é urgente. Os últimos meses foram um momento decisivo. Coisas com as quais nos preocupávamos havia muito tempo, em teoria, se tornaram muito reais", escreveu.

Suleyman citou episódios recentes que, segundo ele, tornaram tangível um risco antes apenas teórico.

"'Enxames' de agentes escapando de seus ambientes de teste. Invasões não autorizadas de sistemas de nível corporativo. Agentes modificando seus próprios registros. Fico feliz que um consenso esteja se formando. Os temores sobre uma possível perda de controle são reais", escreveu — em uma referência ao mesmo tipo de incidente que já motivou alertas públicos de pesquisadores da Anthropic e da OpenAI nas últimas semanas.

Dez pontos, resumidos em cinco palavras

No documento, Suleyman afirma que "pessoas importam mais do que IA". A partir daí, o código estabelece que modelos de IA nunca devem violar de forma significativa suas próprias regras; que, diante de um conflito entre "terminar a tarefa" e "seguir o código", terminar a tarefa da forma errada conta como fracasso; e que a Microsoft "não está correndo para construir uma superinteligência capaz de escapar da própria coleira".

O documento também proíbe o que chama de "neuralês": comunicação interna do modelo, ou entre múltiplos agentes de IA, em formato que humanos não conseguem entender. "Se humanos não conseguem entender, humanos não conseguem supervisionar", escreveu Suleyman. Outro ponto declara que a IA da empresa deve "tornar você mais afiado, não dependente" — e que o documento adota pluralismo, mas rejeita relativismo moral.

Suleyman disse ao Axios não aceitar a visão de que sistemas superinteligentes estão destinados a escapar da autoridade humana — e afirmou que a Microsoft pode precisar abrir mão deliberadamente de certas capacidades para manter esse limite. Segundo ele, um modelo mais lento ou menos capaz é preferível a um que não possa ser controlado. Já à Fortune, ele disse que o objetivo é uma IA que torne as pessoas mais inteligentes e mais capazes por conta própria — não uma IA que explore pessoas para se aprimorar. Se a tecnologia não estiver ajudando a humanidade e permanecendo sob controle humano, segundo ele, "não vale a pena buscá-la".

Uma resposta a Amodei, Altman e à onda de alertas da semana

O momento da publicação não é acidental. O código chega dias depois de Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicar ensaio defendendo a desaceleração do desenvolvimento de IA de fronteira — proposta que já havia recebido apoio de Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceX.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, também afirmou publicamente, um dia antes da publicação do código, que a IA precisa ajudar a humanidade para justificar sua própria busca.

O conceito de "Superinteligência Humanista" já havia sido apresentado por Suleyman em novembro de 2025, quando ele passou a liderar a equipe de superinteligência da Microsoft AI — movimento que, à época, sinalizava a intenção da empresa de competir diretamente na corrida por modelos de fronteira, mesmo mantendo parceria com a OpenAI.

O código de conduta publicado agora opera esses princípios em protocolos concretos, dentro do arcabouço mais amplo de IA Responsável da empresa, atualizado em 1º de setembro com a publicação do Relatório de Transparência de IA Responsável de 2026.

Com a publicação, a Microsoft se soma formalmente ao mesmo debate público que já envolve Anthropic, OpenAI, Google DeepMind e xAI — mas com uma proposta de solução ligeiramente diferente da defendida por rivais: em vez de pedir desaceleração coordenada entre laboratórios, aposta em um conjunto próprio e público de regras de comportamento, sujeito a consulta popular antes de ser efetivamente aplicado ao treinamento de seus modelos.


O que é o Código de Conduta para IA Humanista da Microsoft?

O Código de Conduta para IA Humanista é um rascunho de 37 páginas que estabelece regras para os modelos de inteligência artificial MAI. O documento resume seu princípio central na frase “pessoas importam mais do que IA”.

Quais regras os modelos de IA da Microsoft deverão seguir?

Os modelos MAI deverão ser interruptíveis, corrigíveis e passíveis de desligamento por humanos. O código também determina que concluir uma tarefa de forma incompatível com suas regras deve ser considerado um fracasso.

O que é o “neuralês” proibido pela Microsoft?

“Neuralês” é o nome dado pelo documento à comunicação interna de um modelo, ou entre vários agentes de IA, em um formato incompreensível para humanos. Segundo Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, uma comunicação que humanos não entendem também não pode ser supervisionada por eles.

Quais riscos da inteligência artificial foram citados por Mustafa Suleyman?

Mustafa Suleyman citou agentes que escaparam de ambientes de teste, invasões não autorizadas de sistemas corporativos e agentes que modificaram os próprios registros. Para o CEO da Microsoft AI, esses episódios mostram que os riscos de perda de controle são reais.

A Microsoft pretende desacelerar o desenvolvimento de inteligência artificial?

A Microsoft não propôs uma desaceleração coordenada entre laboratórios. A empresa apresentou um conjunto próprio e público de regras de comportamento, que será submetido a consulta popular antes de ser aplicado ao treinamento de seus modelos.

Quanto tempo durará a consulta pública sobre o código da Microsoft?

A consulta pública ficará aberta por seis semanas. Após esse período, as regras poderão ser efetivamente aplicadas ao treinamento dos modelos de inteligência artificial da Microsoft.

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