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'Guerra entre EUA e Irã terá apenas perdedores', diz analista

Diretor no Atlantic Council afirma que americanos terão perdas na economia e em suas alianças internacionais, enquanto Irã ainda precisa resolver problemas internos

Prédio residencial atingido por ataques em Teerã, em 12 de março de 2026 (AFP)

Prédio residencial atingido por ataques em Teerã, em 12 de março de 2026 (AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 9 de abril de 2026 às 10h30.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 10h32.

Para Nate Swanson, diretor de Irã no think tank Atlantic Council, a guerra entre Irã não terá vencedores, pois os dois lados sairão com grandes perdas do conflito.

"“Se — e é um grande 'se' — este for o fim da guerra com o Irã, será um exemplo impressionante de um conflito mal concebido e contraproducente”, diz Swanson, em uma análise divulgada pelo instituto. “Esta guerra não tem vencedores, apenas perdedores."

Swanson também foi assessor de políticas para o Irã no governo dos EUA, nos governos de Joe Biden e Donald Trump. Ele avalia que, para os EUA, as principais perdas são os grandes danos à economia global, trazidos pela alta do petróleo e pela incerteza entre investidores.

Além disso, o conflito serviu para afastar ainda mais os americanos dos países europeus e do Golfo Pérsico. O presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou os líderes europeus a entrarem no conflito, mas ouviu um "não". Depois disso, Trump passou a criticar ainda mais a Otan, aliança militar entre os Estados Unidos e a Europa, e ameaçou se retirar da entidade.

Já os países do Golfo como Bahrein e Emirados Árabes, antes distantes dos conflitos na área, foram atacados pelo Irã por possuírem bases americanas, e poderão rever sua proximidade com os EUA.

Perdas do Irã

Para o analista, o Irã também ficará mais distante dos países do Golfo e ainda terá outros problemas a lidar.

“O Irã sacrificou suas relações com os países vizinhos do Golfo, continua a recorrer à força bruta para reprimir a dissidência interna e continua a ter dificuldades para atender às antigas reivindicações de seu povo”, diz Swanson.

“O regime pode até comemorar sua sobrevivência, mas suas perspectivas são sombrias", afirma.

O pesquisador avalia ainda que as negociações para o término do conflito, que estão em andamento, serão difíceis, pois as demandas do Irã, como a retirada completa das tropas americanas do Oriente Médio e o pagamento de reparações, são muito amplas.

"O resultado mais provável das negociações é uma versão ambígua de cessar-fogo que se mantenha indefinidamente, o que é melhor do que a alternativa [de guerra]", diz Swanson.

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