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Patrocínio em camisas de árbitros cresce e vira ativo do futebol

Exposição ampliada com o VAR atrai marcas, impulsiona receitas e chega às principais competições do Brasil e do mundo

Dario Herrera: árbitro apita a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo neste sábado, 29 (Hector Vivas/Getty Images)

Dario Herrera: árbitro apita a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo neste sábado, 29 (Hector Vivas/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 16h16.

As camisas dos árbitros deixaram de ser apenas um item funcional do jogo e passaram a integrar o inventário comercial do futebol. O patrocínio aos uniformes da arbitragem, antes impensável, tornou-se recorrente nas principais competições do Brasil e do exterior, impulsionado pelo aumento da visibilidade desses profissionais nas transmissões, especialmente após a adoção do VAR.

No Brasil, os valores não são divulgados por federações e empresas, mas o mercado estima contratos que podem chegar a R$ 1 milhão, a depender do peso do campeonato. Um dos exemplos mais consistentes está no Campeonato Mineiro. Pelo quinto ano consecutivo, a agência Heatmap viabilizou parcerias comerciais para o estadual.

Em 2026, marcas como GIROAgro, Valenet, Gazim, Rio Branco, MGL Leilões, Uniube, SestSenat e a própria Heatmap aparecem distribuídas em diferentes propriedades do torneio, incluindo uniformes da equipe de arbitragem, placas de campo, carrinho-maca, placa de substituição, bancos de reservas e backdrop de entrevistas.

“Com a chegada do VAR, os árbitros passaram a ocupar um tempo ainda maior nas transmissões. O Campeonato Mineiro tem crescido a cada ano e batido recordes de audiência nas transmissões e em médias de público. Todos os anos realizamos um trabalho minucioso para viabilizar parcerias que sejam positivas para a competição e para as marcas”, diz Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo.

Outro caso é o do Paulistão, que nesta temporada atingiu um recorde de parcerias e estampa sete marcas nos uniformes dos árbitros: Quartzolit, FutFanatics, Placo, Unisa, Smart Fit, Brasilux e BIS. Um dos contratos foi intermediado pela Wolff Sports, responsável pelo acordo entre a Unisa e a Federação Paulista de Futebol.

“A arbitragem possui grande evidência durante o jogo, especialmente depois da criação do VAR. Por conta disso, diversas empresas que desejam investir em publicidade no meio esportivo optam pelo uniforme dos juízes. É algo positivo tanto para os organizadores do campeonato quanto para as companhias”, avalia Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports.

Apesar de historicamente, não raro, serem alvos de críticas e xingamentos das torcidas, os árbitros passaram a ser vistos pelas marcas como um ativo de exposição constante. No Campeonato Brasileiro, a última temporada marcou a primeira vez em que uma empresa estampou sua marca nos uniformes da arbitragem: a Midea. No mesmo período, a TCL firmou um patrocínio considerado milionário com a Copa Libertadores da América, levando seu logo também às camisas dos árbitros, além de placas de campo e mídia estática.

O pioneirismo no país ocorreu em 2015, quando a então Semp Toshiba, hoje TCL, fechou parceria para os uniformes dos árbitros das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, no masculino e no feminino.

“É uma forma de gerar conexão e novas receitas com todos os envolvidos no espetáculo do jogo, seja pela exposição comercial, mas principalmente pela possibilidade de criar novas ativações de marcas. Os árbitros são parte fundamental do espetáculo, e o público sabe diferenciar esses patrocínios da performance do árbitro em campo”, afirma Reginaldo Diniz, CEO e sócio-fundador da End to End.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, ainda há espaço para amadurecimento desse tipo de propriedade. “A arbitragem é explorada mais como espaço publicitário de exposição simples do que como uma real conexão. Os árbitros são atores importantes do espetáculo, com histórias e trajetórias que também poderiam ser contadas pelas marcas”, analisa.

Patrocínio à arbitragem avança nas ligas internacionais

O movimento não é exclusivo do futebol brasileiro. Nas principais ligas europeias, os patrocínios aos uniformes dos árbitros também se consolidaram. Os valores não são oficiais, mas estimativas de mercado apontam contratos entre 200 mil e 300 mil euros, conforme a relevância da competição.

Na La Liga, a exposição ocorre em duas propriedades do uniforme — mangas e costas — e envolve mais de uma marca. Até a temporada passada, a parceria era exclusiva com a Würth; neste ciclo, a liga também fechou acordo com a BKT.

A Premier League, que mantinha contrato com a EA Sports, passou a estampar a marca da Huws Gray. Já a Serie A conta com Net Insurance e Lete, enquanto a Ligue 1 é patrocinada pela La Poste e a Bundesliga tem acordo com a Das Örtliche.

Para Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios, a prática reflete uma mudança estrutural no modelo de negócio do futebol. “A visibilidade estratégica é clara, já que os árbitros estão sempre em destaque, especialmente em lances decisivos ou polêmicos. Isso garante exposição em transmissões globais e reforça a profissionalização das ligas. Desde que bem regulamentada, a presença de patrocínios não compromete a neutralidade da arbitragem, como mostram as principais ligas do mundo”, afirma.

Com a consolidação desse formato, a arbitragem passa a ocupar um espaço fixo no mercado de patrocínios esportivos, ampliando as fontes de receita das competições e redefinindo a relação entre marcas e um dos personagens mais visíveis do jogo.

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