Retorno de personagens e estética de O Diabo Veste Prada impulsiona buscas, engajamento e ativações de marcas em diferentes setores (The Walt Disney Company/Divulgação)
Colunista
Publicado em 14 de abril de 2026 às 14h21.
A volta de grandes clássicos, seja no cinema, na moda ou no jeito de consumir tem gerado enorme repercussão. A nostalgia é um fator estrategicamente forte para atrair a atenção das pessoas e as marcas já se atentaram a esse recurso. Elas usam esse repertório afetivo para se conectar mais rápido com o público, atualizando referências conhecidas para caber no comportamento de hoje.
O tema que mais ganhou destaque nos últimos meses foi O Diabo Veste Prada 2, marcado pelo retorno das atrizes Meryl Streep e Anne Hathaway, que protagonizaram o primeiro filme há quase 20 anos, e isso ajudou a reacender o interesse do público.
As buscas online dispararam. Termos relacionados ao filme registraram aumentos individuais superiores a 5.000%, com dois picos distintos de atenção concentrada: um em novembro de 2025, quando os primeiros rumores e confirmações começaram a circular, e outro em março de 2026, impulsionado por bastidores, entrevistas e a divulgação de novos materiais promocionais.
As pessoas não ficaram apenas consumindo conteúdo sobre o filme, mas passaram a produzi-lo.
Surgiram resenhas, análises, recriações de looks, comentários sobre bastidores do filme, além de comparações entre o estilo de 2006 e o de hoje. O tema se espalhou de forma pulverizada pelo Instagram, TikTok, X, YouTube e até mesmo em posts no LinkedIn.
Milhares de conteúdos foram gerados de forma orgânica e amplamente compartilhados, ampliando ainda mais o alcance em torno do lançamento, previsto para dia 30 de abril de 2026.
Diante dessa repercussão, marcas que souberam trazer esse momento para dentro de suas estratégias conquistaram grande visibilidade.
Quando uma marca acessa um repertório afetivo que o consumidor já tem internalizado, ela encurta o caminho entre o primeiro contato e a conexão.
Não é necessário construir familiaridade, explicar um universo. O consumidor já está lá aquecido, com uma memória afetiva ativada.
Foi exatamente a partir dessa dinâmica que algumas marcas passaram a se movimentar. A Coca-Cola lançou uma edição especial de Diet Coke inspirada no imaginário do filme
A AMC Theatres desenhou a estratégia que mais viralizou globalmente, com o lançamento de um produto que gerou desejo imediato: um balde de pipoca no formato de bolsa, referência direta à estética do filme. A peça se tornou objeto de colecionador, foi revendida online por valores muito acima do preço original.
Outro destaque é da TRESemmé, que fechou uma parceria global com o filme e terá um produto em uma edição limitada, TRESemmé Heat Defence Care & Protect Spray.
Além das marcas mencionadas, não há como deixar de destacar a capa da Vogue, que repercutiu no mundo ao reunir Anna Wintour e Miranda Priestly (personagem de Meryl Streep). No Instagram, o post ultrapassou 1 milhão de curtidas, 11 mil comentários e mais de 170 mil compartilhamentos, uma performance rara para conteúdos de moda de forma orgânica.
No mesmo perfil, dois vídeos publicados também ganharam grande repercussão, ultrapassando 35 milhões de visualizações.
O que todas essas marcas têm em comum é que nenhuma delas precisou forçar uma entrada. A conexão com o universo de O Diabo Veste Prada já existia, e a estratégia apenas facilitou a fluidez na comunicação com o público.
As pessoas tendem a ficar mais receptivas ao se deparar com elementos nostálgicos. Em muitos casos, isso abre espaço para aumento de preço e maior disposição de compra por parte do consumidor, que passa a enxergar esses produtos como parte de uma narrativa diferente e não apenas como itens funcionais.