Economia

Aéreas vão gastar US$ 100 bi a mais com combustível e lucro cai pela metade, diz Iata

Empresas vão lucrar US$ 1,2 bilhão na América Latina este ano, segundo dados da entidade

Avião em Guadalupe, no Caribe: custo de combustível representa cerca de 40% do preço da passagem (Carla Bernhardt/AFP)

Avião em Guadalupe, no Caribe: custo de combustível representa cerca de 40% do preço da passagem (Carla Bernhardt/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 7 de junho de 2026 às 11h58.

Última atualização em 7 de junho de 2026 às 12h06.

Rio de Janeiro* - A alta no preço dos combustíveis, gerada pela guerra no Irã, vai aumentar os gastos das companhias aéreas com combustível em US$ 100 bilhões este ano, disse a Iata, entidade global que representa as companhias aéreas.

O preço do insumo subiu 70% em relação ao ano passado. Com isso, a lucratividade das empresas em 2026 deve cair pela metade, de US$ 45 bilhões para US$ 26 bilhões. A margem cairá de 4,2% para 2%.

Na América Latina, o lucro das empresas aéreas deverá atingir US$ 1,2 bilhão, ante US$ 1,9 bilhão em 2025.

A única região do mundo em que as aéreas terão prejuízo será o Oriente Médio, onde se espera um prejuízo de US$ 4,4 bilhões este ano. A região foi afetada diretamente pela guerra dos EUA contra o Irã, que levou ao fechamento temporário de aeroportos importantes, como os de Dubai e do Qatar.

"Este é um ano difícil para todas as companhias aéreas, especialmente aquelas cujos balanços ainda não se recuperaram da Covid. E, claro, para as que operam no Golfo", disse Willie Walsh, diretor-geral da Iata.

"A grande incógnita é por quanto tempo viajantes e empresas de transporte de carga conseguirão tolerar os custos mais altos de conectividade", afirma.

A Iata estima que o setor de passageiros aéreos terá alta de 2,1% este ano, enquanto o de cargas avançará 0,7%.

Aviões em atraso

Walsh também reclamou que as entregas de aeronaves para as companhias seguem com atrasos, um problema que vem desde a pandemia.

"As companhias aéreas enfrentam custos de combustível mais altos com frotas menos eficientes do que o planejado. Por quê? Porque a cadeia de suprimentos aeroespacial continua falhando em entregar aeronaves e motores conforme prometido", disse.

Ele afirmou que a lista de aeronaves pedidas e ainda não entregues supera 18.000 unidades, e a idade média atingiu o recorde de 15,2 anos.

"Além disso, a falta de mais de 5.000 aeronaves de reposição mais eficientes em termos de combustível, com as quais contávamos, significa ganhos de eficiência perdidos, sem mencionar as taxas de leasing mais altas e os custos de manutenção aumentados. No total, as falhas na cadeia de suprimentos custarão às companhias aéreas pelo menos US$ 11 bilhões em 2025. Os preços mais altos do combustível de hoje só piorarão a situação", disse Walsh.

O diretor questionou ainda os fabricantes de motores.

"A profunda insatisfação dos clientes não afetou as finanças dos fabricantes. Os lucros da maioria dos fabricantes de motores aumentaram em dois dígitos", afirmou.

"Minha mensagem para os fabricantes de motores é simples: parem de nos explorar e voltem a fabricar motores excelentes, que funcionem e durem. Permitir que essas falhas se prolonguem pela próxima década é totalmente inaceitável para os clientes", disse.

*O repórter viajou a convite da Iata.

Acompanhe tudo sobre:AviaçãoOriente MédioPetróleo

Mais de Economia

Alckmin diz que governo não vai retaliar os EUA por tarifaço: 'Olho por olho deixaria os dois cegos'

Argentina tem nota de crédito elevada pela Moody's após avanços econômicos

Ataque ao Pix é 'guerra ao futuro' e deve fortalecer Lula, diz ganhador do Nobel

Focus reduz projeção do IPCA de 2026 para 5,15%, na 3ª queda seguida