Cena de Stranger Things, série usada pela Netflix como base para ativações publicitárias e parcerias comerciais no Brasil (Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 19h11.
A Netflix mais que dobrou sua receita com publicidade em 2025 e projeta alcançar US$ 3 bilhões em vendas de anúncios em 2026, segundo comunicado de resultados divulgado pela companhia. O desempenho ocorre no terceiro ano de operação do plano com anúncios e após a empresa internalizar sua tecnologia publicitária, antes operada em parceria com a Microsoft.
Em 2025, a receita publicitária da Netflix superou US$ 1,5 bilhão, o que representa um crescimento de 2,5 vezes em relação ao ano anterior. Segundo o portal Marketing Dive, para sustentar a expansão, a empresa afirmou que seguirá investindo em tecnologia própria, estrutura comercial e estratégia de go-to-market voltada a anunciantes, com foco em reduzir a diferença de receita média por usuário entre o plano com anúncios e as assinaturas tradicionais.
“O acesso a esse conjunto profundo de dados e insights que temos melhora o desempenho das compras de mídia”, afirmou o co-CEO Greg Peters em teleconferência com investidores sobre os resultados do quarto trimestre e do ano cheio. Segundo ele, a plataforma também vem ampliando o portfólio de formatos publicitários, incluindo recursos de interatividade, como parte da estratégia para aprimorar métricas e resultados para marcas.
No quarto trimestre de 2025, a empresa atingiu 325 milhões de assinaturas pagas, um novo marco. No período, a receita total cresceu 18% na comparação anual, para US$ 12,1 bilhões. Já os planos com anúncios alcançam cerca de 190 milhões de usuários ativos mensais, segundo métrica interna divulgada pela companhia e reportada pelo Marketing Dive.
Em busca de escala no mercado publicitário, a Netflix também vem ampliando seu modelo de parcerias. Em setembro, fechou acordo com a Amazon para permitir que seu inventário de anúncios seja comprado via a plataforma de mídia programática da empresa, apesar da concorrência direta entre os dois grupos no streaming.
Durante a mesma teleconferência, executivos comentaram a planejada aquisição da Warner Bros., anunciada no fim de 2025. O negócio, avaliado em US$ 83 bilhões, foi revisado nesta semana para uma transação integralmente em dinheiro, mantendo o valor de US$ 27,75 por ação para o estúdio, que reúne ativos como HBO e o universo DC Comics. A operação ocorre em meio à disputa com uma proposta rival do grupo Paramount Skydance.
Ainda conforme o Marketing Dive, a liderança da Netflix afirmou estar confiante de que o acordo superará o escrutínio regulatório e destacou a importância estratégica da Warner Bros. para competir em um ambiente de mídia cada vez mais disputado, não apenas por serviços de streaming, mas também por plataformas digitais.
A empresa também citou o YouTube como uma ameaça relevante tanto para receitas de anúncios quanto de assinaturas. A plataforma, controlada pela Google, recentemente garantiu os direitos de transmissão do Oscar e exibe o pacote NFL Sunday Ticket em seu serviço de TV conectada.
“O YouTube não é mais apenas conteúdo gerado por usuários. Eles são TV”, afirmou o co-CEO Ted Sarandos. “Competimos com eles em todas as dimensões: por talentos, por verbas publicitárias, por assinaturas e por todos os tipos de conteúdo.”
Recentemente, a Netflix registrou no Brasil um novo pico de interesse publicitário em torno de Stranger Things. Segundo a plataforma, o avanço da temporada final elevou a demanda de marcas por ações comerciais associadas ao título, ampliando o volume de ativações, licenciamentos e formatos especiais dentro e fora do streaming. Fenômeno semelhante ocorreu anteriormente com a série Wandinha.
No campo criativo, a empresa informou que segue testando o uso de inteligência artificial para permitir que marcas adaptem anúncios a diferentes propriedades intelectuais do catálogo, iniciativa iniciada em 2024. A tecnologia também vem sendo aplicada em processos de concepção de campanhas e planejamento de mídia.