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Netflix passa dos 325 mi de assinantes e lucra US$ 2,4 bi no 4º tri de 2025

'Novela' com a Warner ainda trava ações da companhia; Brasil brilha e puxa receita da América Latina para cima

Netflix: veja os resultados do quarto trimestre (ROBYN BECK/AFP/Getty Images)

Netflix: veja os resultados do quarto trimestre (ROBYN BECK/AFP/Getty Images)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 18h17.

Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 08h18.

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A Netflix (NFLX) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um lucro líquido de US$ 2,41 bilhões. O lucro por ação (EPS) foi de US$ 0,56, um crescimento de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 0,43), ligeiramente acima das previsões de Wall Street.

Em 2025, a companhia chegou a 325 milhões de assinantes. Foi o primeiro resultado do tipo divulgado ao longo dos últimos 12 meses, quando a Netflix avisou que deixaria de anunciar o número de assinantes em seus balanços.

A gigante do streaming divulgou seus resultados financeiros nesta terça-feira, 20, após o pregão. A receita do quatro trimestre de 2025 foi US$ 12,05 bilhões — alta de 17,6% no comparativo anual. No acumulado de ano, alcançou US$ 45,2 bilhões em receita.

Apesar dos números sólidos, o mercado reage com cautela: para o trimestre atual, a Netflix decepcionou. A empresa prevê lucro de US$ 0,76 por ação sobre vendas de US$ 12,16 bilhões. Os analistas esperavam um lucro no primeiro trimestre de US$ 0,81 por ação sobre vendas de US$ 12,19 bilhões.

Além disso, há a aquisição da Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 82,7 bilhões, no radar dos investidores. No pré-mercado desta quarta-feira, as ações da companhia caíam 6%.

Netflix chega a 2026 mais forte

Em carta aos acionistas, a Netflix confirmou que a margem operacional do trimestre foi de 24,5%, acima da expectativa, motivada pelo aumento no número de assinantes. O fluxo de caixa livre (FCF) no período foi de US$ 1,87 bilhão. Para 2026, a projeção é agressiva: receita entre US$ 50,7 bi e US$ 51,7 bi e uma margem operacional de 31,5%.

A grande notícia do dia, porém, foi o ajuste na proposta de compra da Warner: a Netflix alterou o acordo para uma transação 100% em dinheiro (all-cash), para acelerar a votação dos acionistas e vencer a concorrência da Paramount/Skydance. Para financiar a operação, a empresa pausará o programa de recompra de ações.

O engajamento da plataforma segue em patamares saudáveis, com 96 bilhões de horas assistidas no segundo semestre de 2025. O grande motor desse trimestre foi o aguardado final de Stranger Things, que acumulou 120 milhões de visualizações. Outras franquias como Emily em Paris (41M) e a segunda temporada da sul-coreana Culinary Class Wars (10M) impulsionaram os números em conjunto.

'Donos do Jogo': o fenômeno brasileiro

O Brasil também brilhou no balanço global: a produção nacional Donos do Jogo alcançou 23 milhões de visualizações, enquanto o filme Caramelo registrou 54 milhões, o que prova a força do conteúdo local para a retenção de assinantes na América Latina, onde a receita cresceu 15%.

Nos eventos ao vivo, a estratégia de "espetáculo" se pagou. A luta entre o pugilista Anthony Joshua e Jake Paul (que nocauteou o influenciador no sexto round) teve uma audiência média de 33 milhões de dispositivos. Para 2026, a Netflix já garantiu a transmissão mundial do World Baseball Classic.

Publicidade: o dobro até US$ 1,5 bilhão

O modelo de negócios baseado em anúncios, que era uma aposta incerta há dois anos, tornou-se um pilar de sustentação. Em 2025, a receita de publicidade saltou 2,5 vezes, ultrapassando a marca de US$ 1,5 bilhão.

A meta para 2026 é ambiciosa: dobrar novamente esse valor. A empresa aposta na escala da oferta programática e em novos formatos, como video podcasts originais (em parcerias com Spotify e Barstool Sports) e a expansão do catálogo de games, que agora inclui uma versão exclusiva de FIFA por nuvem.

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