Divine: rede social resgata vídeos de seis segundos e proíbe conteúdos gerados por inteligência artificial (Divulgação)
Repórter de Marketing
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 13h04.
"O seu espaço para a criatividade humana". É assim que o Divine se apresenta ao público. O slogan resume a proposta de uma rede social que chega ao mercado na contramão de uma das principais tendências da indústria: o uso de inteligência artificial generativa na produção de conteúdos.
Criado por Evan Henshaw-Plath, um dos desenvolvedores originais do Twitter, o Divine é inspirado no antigo Vine. O aplicativo recupera os vídeos de seis segundos em loop, mas acrescenta uma regra: conteúdos gerados por IA não são permitidos.
E isso é algo que a descrição do app deixa bem claro:
"Crie loops de seis segundos, descubra pessoas reais e apaixone-se novamente por aquele tipo de internet que parecia viva. Estranha, engraçada, espontânea, brilhante. Sem interferências de IA. Totalmente humana."
Depois de meses de testes na versão beta, a plataforma liberou o acesso ao público nesta semana e, segundo Henshaw-Plath, já soma cerca de 100 mil usuários.
O Divine pega carona em algumas tendências do momento, começando pela nostalgia. A plataforma possui um acervo de mais de 2 milhões de vídeos originais do Vine, app lançado em 2013 e que se tornou um dos primeiros grandes fenômenos de vídeos curtos.
O formato de seis segundos do Vine antecipou uma linguagem que seria popularizada por TikTok, Reels e YouTube Shorts. Além disso, o aplicativo, encerrado em 2017, também ajudou a revelar criadores que posteriormente construíram carreiras em outras plataformas.
O Divine também trabalha uma ideia de "recuperação da internet do passado", basicamente o resgate de um modelo menos guiado por algoritmos e conteúdos sintéticos.
No Vine original, a circulação de um vídeo dependia mais das pessoas compartilharem o conteúdo do que de um algoritmo desenhado para manter o usuário consumindo infinitamente. O Divine quer recuperar parte desse formato. A plataforma não aposta só em um feed algorítmico tradicional e permite que os usuários tenham mais controle sobre o que acompanham.
Em outras palavras, o Divine vende a ideia de que uma internet mais humana ainda é possível.
E, no quesito humanidade, o app esbarra em outra tendência: o movimento anti-IA.
A produção excessiva de conteúdos gerados com IA generativa já começa a ser vista como problema. Há, inclusive, o surgimento de termos para definir a questão. É o caso de AI slop, que descreve conteúdos de baixa qualidade produzidos em massa por inteligência artificial.
Neste contexto, a nova rede social promete "fazer o possível para eliminar conteúdos de baixa qualidade gerados por IA e materiais de IA generativa", diz o Divine. "Estamos implementando uma abordagem em múltiplas camadas para detectar conteúdos de IA generativa, incluindo ProofMode, detecção por machine learning, denúncias de usuários e revisão humana."
Segundo a companhia, o Divine sinaliza qualquer conteúdo suspeito de IA e impede que ele seja publicado.Agora que o aplicativo foi liberado ao público, o Divine ainda precisa provar que realmente consegue manter o controle sobre os conteúdos gerados por IA.
Além disso, a plataforma também precisa mostrar que consegue competir por atenção com TikTok, Instagram e YouTube. Afinal, o próprio Vine foi encerrado depois de não conseguir se transformar em uma operação rentável dentro do Twitter.
Atualmente, o Divine recebe financiamento da organização sem fins lucrativos And Other Stuff, que é de Jack Dorsey, cofundador do Twitter e com quem Henshaw-Plath trabalhou.
Nesta semana, Taco Bell foi anunciada como a primeira marca parceira do Divine. A rede de fast food se associou ao lançamento do app como parte da campanha "Decades", que resgata quatro itens do cardápio, originalmente disponíveis em 2016.
Ao Digiday, a CMO do Divine, Alice Chan, revelou que existem negociações com outras marcas em andamento.