Marketing

Adobe quer ajudar marcas a aparecer nas respostas de IA

Nova ferramenta monitora menções, comparações com concorrentes e presença de empresas em plataformas como ChatGPT

Fernando Teixeira, diretor de produtos e estratégia de IA para a Adobe América Latina (Divulgação/Ilustração gerada por IA/Exame)

Fernando Teixeira, diretor de produtos e estratégia de IA para a Adobe América Latina (Divulgação/Ilustração gerada por IA/Exame)

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 17h23.

Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 19h05.

Priorizar nos meus resultados Google

A Adobe aproveitou a presença na Febraban Tech, que acontece nesta semana em São Paulo, para anunciar a chegada ao Brasil de uma nova solução voltada à visibilidade de marcas. Chamada Adobe Brand Visibility, a ferramenta monitora e ajuda a ampliar a presença das marcas em LLMs e mecanismos de busca.

A solução permite que as empresas entendam como são citadas e até comparadas com concorrentes nas respostas geradas por IA.

O lançamento acontece em meio a uma mudança na forma como consumidores pesquisam, descobrem e escolhem produtos e serviços. Se durante anos o objetivo das empresas foi aparecer entre os primeiros resultados do Google, agora uma parte dessa jornada acontece dentro de interfaces como ChatGPT e Gemini.

No Brasil, esse comportamento já alcançou uma escala relevante. Segundo dados do Relatório do Varejo da Adyen, apresentados pela Adobe, 52% dos brasileiros já utilizaram o ChatGPT ou outros assistentes de IA para auxiliar em compras.

"Não é uma substituição simples, trata-se de uma coexistência mais fragmentada. O Google, a busca tradicional e as interfaces de IA passam a dividir a mesma jornada”, avalia Fernando Teixeira, diretor de produtos e estratégia de IA para a Adobe América Latina, em entrevista à EXAME.

A mudança, destaca o executivo, cria uma nova dinâmica de disputa para as empresas:

“No Google, a visibilidade é observada por posição, impressão e clique. Nas respostas de IA importa se a marca é mencionada, citada como fonte e apresentada de forma correta. Em muitos casos, não há clique algum. Mas isso não significa que o consumidor não foi impactado.”

A nova disputa pela atenção

A mudança ganha dimensão à medida que as ferramentas de IA deixam de ser usadas apenas para tarefas pontuais e passam a ocupar uma etapa cada vez mais próxima da decisão de compra. Ainda segundo a Adobe, 37% dos consumidores já iniciam suas buscas em ferramentas de IA em vez do Google.

Nos Estados Unidos, o tráfego de sites de varejo originado por IA cresceu 1.324% entre outubro de 2024 e maio de 2026, de acordo com dados da companhia.

Para as empresas, isso significa que a descoberta de uma marca pode acontecer antes mesmo de o consumidor chegar ao site, ao aplicativo ou às redes sociais da companhia.

"Não existe um único fator, nem uma fórmula fixa para aumentar a visibilidade. A presença da marca depende da pergunta feita, do modelo ou plataforma, da disponibilidade e clareza da informação, da autoridade das fontes que falam sobre a marca, de quão atualizado está o conteúdo, do mercado e do contexto competitivo daquele momento", explica Teixeira.

Segundo o executivo, isso também significa que produzir conteúdo seguindo uma lógica de otimização não garante que uma empresa será citada:

"Conteúdo estruturado ajuda, mas não garante menção."

De SEO a GEO

A mudança, portanto, não está apenas no comportamento individual do consumidor. Ela começa a alterar o planejamento de marketing. Segundo Teixeira, muitas companhias ainda estão entendendo essa nova dinâmica de coexistência de diferentes modelos de pesquisa e consumo.

Se o SEO ajudou empresas a adaptar sites e conteúdos aos critérios dos mecanismos de busca, o chamado GEO (Generative Engine Optimization) começa a ganhar espaço como tentativa de entender o que influencia a presença de uma marca em respostas produzidas por IA.

"O próximo passo é tratar a descoberta em IA como uma superfície externa, que precisa ser observada, governada e conectada ao resultado de negócio. Da mesma maneira em que organizações tratam o SEO ou mídia paga atualmente", analisa.

É aí que entra o Brand Visibility. Segundo a Adobe, a ferramenta analisa cerca de 300 milhões de prompts reais de busca em IA para identificar como as marcas aparecem em plataformas como ChatGPT, Google AI Mode, Microsoft Copilot e Perplexity.

Além de observar a presença da marca, a solução permite compará-la com concorrentes e identificar os contextos em que uma empresa aparece, ou deixa de aparecer.

A análise também é cruzada com a base de SEO da Semrush, adquirida pela Adobe em abril. O acervo reúne, segundo a companhia, 28,5 bilhões de palavras-chave e 43 trilhões de backlinks. A ideia é combinar o que as empresas já sabem sobre seu desempenho nos mecanismos tradicionais com os sinais que começam a surgir nas plataformas de IA.

Estratégias integradas

Além do Brand Visibility, a Adobe também anunciou no Brasil o CX Enterprise Coworker, solução voltada à coordenação de agentes e fluxos de trabalho dentro das empresas. Entre os processos que podem ser automatizados estão criação de campanhas, gestão de audiências, aquisição e retenção de clientes.

Em programas iniciais com clientes, a Adobe afirma ter registrado redução de até 70% no tempo de ciclos de criação e aprovação de ofertas, e lançamentos de campanhas até 60% mais rápidos.

Segundo o executivo da Adobe, os dois produtos atuam em frentes diferentes, mas complementares.

“A conexão estratégica é tratar visibilidade externa e execução interna como partes da mesma transformação, sem dizer que são o mesmo produto, ou que têm a mesma disponibilidade comercial", diz.

Marcas já adaptam processos

A Adobe cita a Coca-Cola como exemplo de empresa que está utilizando diferentes produtos integrados em sua nova estratégia para chegar ao consumidor. A companhia combinou seu framework de segmentação com ferramentas de IA generativa e soluções da Adobe para ampliar a produção de conteúdos personalizados.

Segundo dados apresentados pela Adobe, a estratégia resultou em quatro vezes mais engajamento, redução de 65% no tempo de produção de copy e até 40 vezes mais ativos personalizados. O trabalho foi um dos vencedores do Adobe Experience Maker Awards 2026.

"A Coca-Cola usou IA generativa para produzir seu comercial de Natal, cortando bastante tempo de produção: um ganho real e mensurável. A pergunta que fica não é apenas em quais áreas a IA reduz prazo ou custo, mas onde ela preserva autenticidade, adequação cultural, emoção e confiança", reforça Teixeira.

Uma métrica ainda em construção

Apesar dos avanços, Teixeira destaca que a própria definição de visibilidade em IA ainda está sendo consolidada. Para a Adobe, não basta transformar o fenômeno em mais um número de dashboard.

O executivo também reforça que ainda há uma diferença entre ser acessado por um sistema de IA e efetivamente influenciar uma resposta. Quando uma empresa tem acesso aos logs de sua CDN, por exemplo, pode identificar requisições feitas por agentes automatizados e observar padrões de acesso.

“O sinal de maturidade é deixar de tratar a visibilidade em IA como curiosidade, e passar a acompanhá-la junto com busca, conteúdo, tráfego e impacto de negócio, no mesmo relatório”, finaliza.

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