Crédito: com a Selic em 14,25%, custo de pegar crédito emprestado pode sair caro (Montagem EXAME com elemento do Canva)
Repórter de finanças
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 10h55.
A busca dos brasileiros por crédito avançou 16,5% nos 12 meses encerrados em junho, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian.
O movimento foi especialmente forte entre as famílias de menor renda: consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos apresentaram alta de 35,2% na procura por crédito no período, enquanto a demanda cresceu 18,1% entre aqueles que recebem até 1 salário mínimo.
Entre as demais rendas, o aumento foi de 16,1% para quem ganha de 5 a 10 salários mínimos e 12,9% entre consumidores com renda superior a 10 salários mínimos. Na faixa de 2 a 5 salários mínimos, por outro lado, houve retração de 1,5%.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o perfil da demanda mostra que o crédito continua sendo afetado por um ambiente macroeconômico desafiador. Segundo ela, o avanço mais forte entre os consumidores de menor renda indica que a necessidade de acesso ao crédito permanece mesmo diante do custo elevado, com a Selic em 14,25%.
“Para muitas famílias, o crédito está menos associado ao consumo discricionário e mais à administração do orçamento doméstico e à manutenção das despesas essenciais", explica.
A procura por crédito aumentou em todas as Unidades Federativas nos 12 meses até junho, embora o ritmo tenha variado entre os estados.
Mato Grosso apresentou o maior crescimento, de 29,9%, seguido por Acre, com 24,8%, e Roraima, com 24,4%. Amapá (22,6%), Mato Grosso do Sul (22,1%) e Rio Grande do Sul (22,1%) também ficaram entre os estados com maiores avanços.
Na outra ponta do ranking, Distrito Federal (11,4%), Santa Catarina (12,8%) e São Paulo (13,2%) registraram os menores crescimentos no período.
Demanda por crédito - Serasa Experian 2 (Serasa Experian/Reprodução)
Considerando apenas a comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês de 2025, a procura por crédito teve alta de 14,8%, se mantendo em dois dígitos — apesar de ser uma queda quanto comparado maio de 2026 e maio de 2025.
Mais uma vez, os consumidores com renda entre 1 e 2 salários mínimos apresentaram o avanço mais expressivo, de 50,8%. Entre aqueles que recebem de 2 a 5 salários mínimos, a alta foi de 7,4%, enquanto a faixa de 5 a 10 salários mínimos registrou crescimento de 2,7%.
Demanda por crédito - Serasa Experian 3 (Serasa Experian/Reprodução)
Para a economista-chefe da datatech, as famílias de menor renda estão mais expostas às modalidades de crédito rotativo, que concentram algumas das taxas de juros mais altas do mercado. Em momentos de dificuldade financeira, esses encargos podem consumir uma parcela relevante da renda disponível e aumentar o risco de inadimplência.
Esse cenário também leva as instituições financeiras a adotarem uma postura mais cautelosa nas concessões, diante da maior percepção de risco.
Ainda assim, a procura por crédito continua crescendo, o que, segundo Camila, mostra que “o crédito continua desempenhando um papel essencial na gestão do orçamento, do fluxo de caixa das famílias e na antecipação da capacidade de consumo” para fazer frente às despesas do dia a dia.