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Faltando dinheiro? Inadimplência é a maior em quase nove anos

Os dados mais recentes mostram ainda que a concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro

 (Sirinarth Mekvorawuth / EyeEm/Getty Images)

(Sirinarth Mekvorawuth / EyeEm/Getty Images)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 15h28.

A inadimplência em operações de crédito com recursos livres — aquelas em que as condições são negociadas diretamente entre bancos e clientes — atingiu 5,5% em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017. Os dados foram divulgados pelo Banco Central.

O índice havia ficado em 5,4% em dezembro. Em 12 meses, a alta acumulada é de 1,1 ponto percentual, cenário ainda influenciado pelos juros elevados: a taxa Selic está em 15% ao ano.

Após encerrar em julho um ciclo de aperto monetário, o Banco Central manteve a Selic no início deste ano no maior nível em quase duas décadas. A instituição, contudo, sinalizou a possibilidade de iniciar um processo de cortes a partir do mês que vem diante de indícios mais consistentes de desaceleração econômica.

Sinais de estabilização

No Relatório de Política Monetária divulgado em dezembro, o BC associou a elevação da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação do crédito. O documento também apontou que já é possível identificar “alguns sinais de estabilização” do indicador.

Os dados mais recentes mostram ainda que a concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro frente a dezembro. Como resultado, o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2% no período, somando R$ 7,116 trilhões.

Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2%. Nos financiamentos com recursos direcionados — que seguem regras definidas pelo governo — a retração foi mais acentuada, de 32,9%.

A taxa de juros do crédito livre subiu para 47,8% ao ano em janeiro, aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Já nos recursos direcionados, os juros ficaram em 11,6% ao ano, avanço de 0,2 ponto.

O spread bancário — diferença entre o custo de captação das instituições e a taxa final cobrada dos clientes — também aumentou, alcançando 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro.

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