EUA: Geração Z depende cada vez mais dos pais (Getty Images/Reprodução)
Repórter de finanças
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 12h00.
A independência financeira da Geração Z está cada vez mais difícil de ser alcançada nos Estados Unidos, analisa uma reportagem da CNBC. Segundo o artigo, a crise de custo de vida no país afeta jovens adultos entre 18 e 29 anos, que enfrentam salários que não acompanham o aumento das despesas e dívidas estudantis.
Vagas reduzidas por conta da inteligência artificial (IA), aumento nos preços de bens e serviços, custos com cuidados médicos e refeições também são alguns dos motivos que levam à dependência financeira.
A consequência é que muitos jovens adultos não conseguem se sustentar sozinhos. Hoje, cerca de metade dos pais — um recorde histórico — está ajudando financeiramente, cobrindo despesas essenciais como alimentação, contas de serviços e aluguel.
Segundo dados do U.S. Census Bureau, órgão responsável pelo censo e estatísticas populacionais nos Estados Unidos, a proporção de jovens adultos vivendo com os pais atingiu o pico durante a pandemia, caiu logo depois e vem subindo novamente. Cerca de 1 em cada 3 adultos de 18 a 34 anos nos EUA mora com os pais, aponta o Censo de 2025, um aumento discreto em relação ao ano anterior.
Mesmo sendo mais provável que tenham diploma universitário e emprego em tempo integral do que seus pais na mesma idade, essa combinação traz dívidas estudantis, segundo especialistas, que se tornam um obstáculo significativo no início da vida profissional.
Ao mesmo tempo, os preços de bens e serviços nos Estados Unidos seguem subindo. Entre 2017 e 2025, a renda semanal mediana cresceu 38%, enquanto os aluguéis aumentaram 50%, aponta uma análise do Urban Institute.
O impacto financeiro também se reflete no acesso a cuidados médicos: quase metade, ou 49%, dos adultos de 18 a 29 anos adiou ou deixou de buscar tratamento médico — mais do que qualquer outro grupo etário — segundo a Century Foundation.
Além disso, a reportagem diz que o grupo também é mais propenso a pular uma refeição devido a restrições financeiras ou usar suas economias para fechar as contas.
O mercado de trabalho também contribui para a pressão. Com o avanço da inteligência artificial nos EUA, há menos vagas de nível inicial para recém-formados.
A National Association of Colleges and Employers projeta um aumento modesto de 1,6% nas contratações para a turma de 2026, em comparação com a turma de 2025. Alguns especialistas alertam que esse movimento pode ser o início de uma recessão no setor impulsionada pela IA, que atingiria especialmente os jovens trabalhadores.
Para Edward Long, sócio da Avity Investment Management, em Greenwich, Connecticut, pais que tiveram valorização de seus investimentos podem estar em posição de ajudar financeiramente os filhos. No entanto, ele alerta que isso pode criar um ciclo de dependência para os filhos.
Mesmo assim, Long ressalta que nem todos os pais têm condições de sustentar filhos na casa dos 30 anos, especialmente um casal aposentado com renda fixa.
Um estudo da Ameriprise Financial, que entrevistou mais de 3 mil pais no ano passado, mostra que 98% permitiriam que os filhos morassem com eles após completarem 21 anos, mas o apoio financeiro vai além.
Além de oferecer moradia, os pais nos EUA seguem custeando despesas dos filhos adultos. Cerca de 63% pagam contas de telefone, 45% arcam com o seguro de saúde até os 26 anos — idade legal limite — e 33% contribuem com a educação além da faculdade, incluindo pós-graduação.
Apesar de 65% dos pais acreditarem que terão recursos suficientes para se aposentar confortavelmente, 36% se preocupam que apoiar financeiramente os filhos possa afetar seus planos.