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Dólar abaixo dos R$ 5: é o momento de comprar ou ainda está cedo?

Após queda da moeda com o resultado do 1º turno, especialistas recomendam compras fracionadas e alertam contra tentativa de acertar o menor preço

Dólar: moeda chegou a ser negociada abaixo de R$ 5 após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula. (Deagreez/Getty Images)

Dólar: moeda chegou a ser negociada abaixo de R$ 5 após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula. (Deagreez/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 13h52.

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A queda de mais de 4% do dólar após o primeiro turno das eleições abriu uma dúvida para quem precisa da moeda americana: é hora de comprar ou ainda vale esperar? A resposta dos planejadores financeiros ouvidos pela EXAME passa menos por tentar adivinhar o próximo movimento do câmbio e mais por dividir as compras ao longo do tempo.

Na segunda-feira, 5, o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 5 após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 99,8% dos votos apurados, o senador teve 47,1% dos votos válidos, contra 45,1% de Lula.

O movimento eleitoral mudou a percepção dos investidores sobre o câmbio. J.P. Morgan e Goldman Sachs passaram a enxergar espaço para uma valorização adicional do real caso o cenário político evolua de forma favorável à disciplina fiscal. O primeiro vê o dólar em R$ 4,80, enquanto o segundo trabalha com uma faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 em um cenário considerado favorável ao mercado.

Os planejadores, porém, alertam que não há como saber se a cotação atual será o menor preço antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Para André Galhardo, comprar parte da moeda agora pode fazer sentido depois de uma queda tão expressiva, mas não é recomendável colocar todo o dinheiro de uma vez.

“Uma queda de 5% em um único dia pode ser uma oportunidade de iniciar uma compra mais gradual, mais dividida para fazer um preço médio ao longo das próximas semanas”, afirma.

A cautela se deve à possibilidade de o real continuar se valorizando. Segundo Galhardo, caso o próximo governo avance em uma reforma fiscal pelo lado das despesas, o dólar pode encontrar espaço para cair ainda mais.

“Não sei se é o momento certo para entesourar moeda norte-americana, justamente porque tem espaço para cair um pouco mais”, diz.

Ao mesmo tempo, esperar indefinidamente também envolve risco. Para o planejador, a cotação próxima de R$ 4,96 no dólar comercial representa uma oportunidade depois de uma queda dessa magnitude.

Comprar aos poucos é melhor do que tentar acertar o fundo

Para Raphael Carneiro, a queda observada após o primeiro turno deve ser encarada como um movimento de curto prazo, influenciado pela eleição e pela realização de lucros de investidores que já estavam posicionados.

“A gente não sabe se vai ser uma tendência daqui para frente, porque depende muito do resultado do segundo turno, da política que vai ser aplicada pelo vencedor, da política fiscal e da política econômica”, afirma.

Em vez de tentar prever o próximo movimento, a sugestão é estabelecer uma rotina de compras. O investidor ou viajante pode, por exemplo, definir uma quantia fixa para comprar todos os meses ou a cada dois ou três meses.

“A gente não sabe se vai cair de novo, se vai cair mais, vai voltar a subir. O melhor, o ideal é a pessoa ter essa estratégia de compra”, diz.

A lógica é construir um preço médio ao longo do tempo. A estratégia reduz o risco de concentrar toda a compra em uma única cotação, seja ela favorável ou não.

Para quem tem viagem marcada, dólar é despesa — não aposta

Para quem já sabe que terá uma despesa em dólar, a recomendação é diferente. A compra da moeda deixa de ser uma tentativa de lucrar com a oscilação do câmbio e passa a funcionar como proteção contra uma despesa futura.

“Você tem uma despesa real marcada em dólar. Isso não é investimento, é obrigação. A lógica muda completamente porque você não está apostando em movimento de moeda, você está se protegendo de algo certo”, afirma Carol Stange, planejadora financeira.

Nesse caso, a sugestão também é dividir a compra. “Comprar metade essa semana, metade na próxima é a melhor estratégia. Assim você não fica refém de uma única cotação”, diz Carol.

A proximidade da viagem também importa. Quanto menos tempo houver até a data da despesa, menor será a margem para esperar uma cotação melhor sem correr o risco de precisar comprar toda a moeda de uma vez.

“A prioridade é hedgear a viagem. Quanto mais perto a viagem, mais caro fica buscar proteção. Você fica desesperado, compra no último dia quando não há mais opções”, afirma.

E quem não tem viagem marcada?

Para quem não tem uma despesa prevista em dólar, a decisão depende do objetivo.

Galhardo vê mais espaço para cautela. Se a intenção for apenas guardar dólares, uma queda adicional do câmbio pode ocorrer caso o próximo governo avance em medidas de consolidação fiscal.

Já Carol Stange vê outra possibilidade: usar o momento para diversificar uma carteira muito concentrada em ativos brasileiros.

“Se você pensa em 5% a 10% de alocação em dólar como proteção de longo prazo contra cenários onde o real enfraquece novamente, este é justamente o momento para entrar porque você compra na baixa sem pressão”, afirma.

Nesse caso, porém, a recomendação não é tentar prever a próxima cotação.

“Se a ideia é lucrar apostando que o dólar vai cair mais ou subir depois, esquece. Ninguém acerta movimento cambial com precisão”, diz.

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