Repórter
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 07h13.
O governo federal começa a operacionalizar nesta segunda-feira, 10, o Desenrola Adimplentes, programa criado para permitir a renegociação de dívidas de trabalhadores informais que ainda estão pagando seus empréstimos, mas enfrentam juros elevados.
Após ajustes nas regras para ampliar a participação dos bancos, a expectativa do Ministério da Fazenda é que a iniciativa ganhe escala, inclusive com a adesão de instituições privadas.
A seguir, veja como funciona o programa.
O Desenrola Adimplentes é uma linha de renegociação destinada a trabalhadores informais que desejam trocar empréstimos pessoais por crédito com juros mais baixos.
O programa permite renegociar até R$ 15 mil em dívidas sem garantia, com taxa máxima de 1,99% ao mês, bem abaixo da média atual do crédito pessoal, que gira em torno de 7% ao mês.
O programa é voltado para trabalhadores sem vínculo formal de emprego.
Para ter acesso, o cliente precisa:
Quem está inadimplente há mais de 90 dias não entra nessa modalidade, pois já pode recorrer ao Desenrola Brasil 2.0.
Cada cliente poderá renegociar até R$ 15 mil em operações de crédito pessoal.
A taxa máxima será de 1,99% ao mês, inferior à média atualmente cobrada no mercado para esse tipo de empréstimo.
Após um atraso causado por mudanças na regulamentação, os bancos públicos começam a oferecer a linha de crédito nesta segunda-feira.
O governo espera que bancos privados também passem a aderir ao programa.
O cronograma foi adiado por dois motivos principais:
Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil apontaram problemas no modelo inicial, que poderia gerar questionamentos de governança.
A principal alteração permite que qualquer banco participante utilize recursos próprios combinados com até R$ 3 bilhões disponibilizados pela União por meio do FGO.
Antes, apenas Banco do Brasil e Caixa poderiam combinar recursos próprios com os recursos públicos, o que gerou resistência das instituições.
Com a mudança, os bancos públicos passam a atuar como repassadores dos recursos federais e também poderão conceder operações próprias.
Ainda depende da decisão de cada instituição.
Inicialmente, parte do setor financeiro avaliava que o programa tinha pouco potencial por atender apenas clientes que ainda estavam adimplentes.
Após as mudanças nas regras, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que o desenho do programa evoluiu e passou a oferecer maior previsibilidade operacional e mecanismos mais claros de garantia, aumentando a viabilidade para as instituições financeiras.
Mesmo assim, a adesão continua sendo facultativa para cada banco.
Segundo o governo, o programa busca atender um grupo que ainda não contava com linhas de crédito mais baratas.
Enquanto trabalhadores com carteira assinada, aposentados e servidores públicos já têm acesso ao crédito consignado, e inadimplentes podem recorrer ao Desenrola Brasil 2.0, os trabalhadores informais que continuam pagando seus empréstimos permaneciam sujeitos a taxas elevadas no crédito pessoal.
*Com O Globo