Hapvida: troca de presidente e balanço trimestral abalaram confiança do investidor (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 10h21.
As ações ordinárias da Hapvida (HAPV3) tiveram mais um dia de forte baixa na bolsa ontem ao recuarem 8,39%. O movimento refletiu a reação negativa do mercado a mais uma mudança na alta gestão da operadora de planos de saúde.
A Hapvida anunciou a nomeação de Alain Benvenuti como novo vice-presidente comercial. O mercado, no entanto, não recebeu bem a decisão.
Benvenuti havia renunciado ao cargo de diretor operacional (COO) há menos de um mês. Para os analistas, foi mais um episódio de "vai e vem" na estrutura de liderança da companhia.
Em dezembro, o até então CFO da companhia assumiu a cadeira de diretor-presidente no lugar de Jorge Pinheiro, da família controladora e filho do fundador da Hapvida.
Benvenuti, por sua vez, assume o cargo que foi ocupado por Rafael Andrade até outubro do ano passado.
Para o Bradesco BBI, a troca representa uma "nova reviravolta" na gestão.
O Safra também destacou que a nova alteração não era esperada pelo mercado. "
Tantas mudanças em cargos de liderança em um prazo tão curto podem não ajudar as ações a recuperar a confiança dos investidores, em nossa opinião, como evidenciado pela significativa queda no preço das ações até o momento", afirmou.
Apesar disso, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para os papéis da Hapvida, com preço-alvo de R$ 27, avaliando o impacto da notícia como misto.
"Por outro lado, a volta de Benvenuti deve contribuir para uma transição mais suave e reforçar a estratégia de retomada na área comercial, trazendo credenciais sólidas para impulsionar resultados", disse o banco.
No acumulado de 2025, as ações da Hapvida recuaram quase 56%, configurando a segunda maior queda do Ibovespa no período.
Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, afirma que o papel tem sido impactado por um histórico recente de instabilidade na gestão e resultados decepcionantes, fatores que reduzem o apetite dos investidores.
“A reação do mercado reflete mais o cenário de precificação do ativo e a incerteza continuada sobre a recuperação operacional e os resultados futuros da empresa”, afirmou.
O Bank of America adotou uma visão mais cautelosa ao reduzir o preço-alvo da ação para R$ 19, mantendo recomendação neutra, e citando um ambiente competitivo mais duro no setor de saúde suplementar e menor visibilidade sobre a recuperação da companhia.
O desempenho negativo também reacende a memória de episódios recentes que abalaram a confiança do mercado.
Em novembro de 2025, a ação da Hapvida registrou o maior tombo de sua história ao despencar 42,1% em um único dia, eliminando R$ 6,8 bilhões em valor de mercado, segundo cálculo de Einar Rivero, da Elos Ayta.
Na ocasião, a queda foi reflexo do balanço do terceiro trimestre.
Embora o resultado ajustado — que exclui efeitos não recorrentes — tenha mostrado crescimento do lucro, a inclusão dos chamados “one-offs” levou a companhia a registrar prejuízo líquido de R$ 57 milhões.
O número foi melhor do que o de um ano antes, quando o prejuízo somou R$ 71,3 milhões, mas, na avaliação do mercado, o problema central é que esses efeitos não recorrentes vêm se tornando cada vez mais frequentes no balanço da empresa, alimentando dúvidas sobre a consistência da recuperação financeira da Hapvida.