Ibovespa: Dos 84 papéis que compõem o índice de referência da B3, 56 fecharam em baixa, enquanto 18 ficaram estáveis e apenas 10 em alta (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 18h38.
Última atualização em 13 de janeiro de 2026 às 18h46.
O Ibovespa encerrou esta terça-feira, 13, em queda de 0,72%, aos 161.973 pontos, ampliando as perdas da véspera em um pregão marcado por cautela e aversão ao risco nos mercados globais.
O índice manteve-se desde o início do dia em terreno negativo, pressionado principalmente pelo desempenho dos bancos, de peso na composição da referência acionária brasileira, apesar do alívio trazido pelos dados de inflação nos Estados Unidos.
No fechamento, a maioria das ações terminou no vermelho. Dos 84 papéis que compõem o índice de referência da B3, 56 fecharam em baixa, enquanto 18 ficaram estáveis e apenas 10 em alta, refletindo um movimento defensivo dos investidores.
Mesmo com a divulgação do CPI, principal indicador de inflação dos Estados Unidos, dentro das expectativas, o ambiente externo seguiu carregado. O índice de preços ao consumidor subiu 0,3% em dezembro e acumulou alta de 2,7% em 12 meses. O núcleo do CPI mostrou leitura mais benigna, com avanço de 0,2% no mês e 2,6% na comparação anual, abaixo do esperado.
Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o peso maior veio das incertezas institucionais e políticas nos Estados Unidos. Segundo ele, o mercado segue desconfortável com a possibilidade de enfraquecimento da independência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) em meio à disputa entre Donald Trump e o atual presidente do BC, Jerome Powell.
"O pior não é nem o fato de haver uma investigação em curso, mas a possibilidade de que a autoridade monetária americana não seja tão independente assim", afirma. Cima também destaca que tensões geopolíticas recentes envolvendo, por exemplo, Irã, Venezuela e novas pressões comerciais, que aumentam a percepção de risco e impulsionam a pressão vendedora.
No cenário doméstico, os dados de atividade também contribuíram para um viés mais cauteloso. O volume de serviços recuou 0,1% em novembro na comparação mensal, frustrando expectativas e reforçando sinais de desaceleração econômica, segundo André Valério, economista sênior do Inter.
A queda do índice foi puxada principalmente pelos papéis de grandes bancos, que voltaram a pressionar o Ibovespa e estenderam as perdas da sessão anterior, apesar do desempenho positivo dos papéis de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4).
De acordo com Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, o setor financeiro operou majoritariamente no vermelho diante dos receios com a temporada de resultados dos bancos nos Estados Unidos e das possíveis implicações para o setor financeiro global.
Soma-se a isso a incerteza em relação à trajetória dos juros, o que reforça a busca por posições de menor risco. "Como bancos têm peso relevante no índice, seu desempenho fraco acaba puxando o Ibovespa para baixo em conjunto com esse sentimento mais avesso ao risco", afirmou Belitardo.
No campo das baixas, a maior queda do dia foi registrada pelas ações da Hapvida (HAPV3), que recuaram 8,39%. A operadora de saúde anunciou, nesta terça, Alain Benvenuti como novo vice-presidente comercial.
Para os analistas do Bradesco BBI, a nomeação representa mais uma "reviravolta" na companhia, já que Benvenuti havia renunciado ao cargo de diretor operacional há menos de um mês. Segundo o banco, as mudanças frequentes na gestão geram ruído no mercado, embora a volta do executivo seja vista como positiva para o negócio.
Na avaliação do gestor da Hike Capital, porém, a queda do papel não está diretamente relacionada à nomeação anunciada hoje. Para ele, o movimento reflete um contexto mais amplo de forte volatilidade e desempenho fraco da ação ao longo do ano, marcado por instabilidade na gestão e resultados passados decepcionantes, o que reduz o apetite dos investidores.
Em 2025, as ações da Hapvida acumulam desvalorização de quase 56%, a segunda maior queda do Ibovespa no período.
"Mudanças executivas recentes na companhia foram anunciadas ao longo de dezembro passado e tratam de uma transição da liderança em 2026, mas não há evidência de que a nomeação de um vice-presidente comercial hoje tenha sido o gatilho para a queda intradia, a reação reflete mais o cenário de precificação do ativo e incerteza continuada sobre a recuperação operacional e resultado futuro da empresa", disse.
Já no lado das altas, tanto as ações preferenciais como as ordinárias da Petrobras lideraram as altas do dia.
"As petrolíferas aparecem no campo positivo porque o preço do petróleo tem mostrado resiliência no mercado internacional e contratos futuros do Brent e WTI estão em alta, o que tende a favorecer ações do setor de energia mesmo em um dia de Ibovespa mais fraco do que o restante do mercado", afirmou Belitardo.