Além do cenário de juros, os investidores também repercutem a nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral de 2026 (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 12h25.
Depois de duas sessões consecutivas de queda, o Ibovespa avança e vem ampliando a alta desde a abertura das negociações nesta quarta-feira, 14, voltando a superar a marca dos 163 mil pontos.
Por volta das 12h, o principal índice da B3 renovou a máxima intradiária ao tocar os 163.876 pontos. Às 12h12, a referência acionária avançava 1,09% aos 163.742 pontos, impulsionado sobretudo pelas ações de grandes empresas, as chamadas blue chips, que têm peso relevante na sua composição.
Entre os principais destaques do dia está a Vale (VALE3), que sobe 1,67%, acompanhada pela Petrobras, cujas ações ordinárias (PETR3) avançam 3,15% e as preferenciais (PETR4) ganham 2,31%. Os grandes bancos também contribuem para o movimento positivo, com as ações preferenciais do Itaú (ITUB), que respondem por cerca de 8,3% do índice, em alta de 0,82%.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o cenário reflete uma combinação de fatores, entre eles a expectativa de juros menores à frente e o reposicionamento gradual dos portfólios.
"A expectativa de juros menores para frente, de reposicionamento dos portfólios, ajuda a explicar esse movimento. O volume ainda está baixo, mas a gente vê o mercado se posicionando nesse sentido", afirma Moliterno.
Os juros futuros abriram o pregão em queda, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos, os títulos da dívida dos Estados Unidos, o que contribuiu para o ambiente mais favorável aos ativos de risco no mercado local.
Além do cenário de juros, os investidores também repercutem a nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral de 2026. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 45% das intenções de voto, ante 38%.
O mercado avaliou positivamente, porém, a leve redução do percentual de Lula em relação à pesquisa anterior, quando tinha 46%, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 36% para 38%.
Em uma eventual disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do governador. No levantamento anterior, a vantagem era maior, de 45% a 35%, o que indicou um avanço de Tarcísio, movimento que também foi bem recebido pelos investidores.
"O mercado agora vai fazer conta se realmente Flávio tem potencial ou não, mas a gente vê ainda uma tendência positiva de adequação", diz o head da Veedha Investimentos.
Entre as maiores altas do dia também estão as ações da C&A (CEAB3), que sobem quase 4%, após uma queda acumulada de cerca de 13,05% na semana passada. Segundo o analista, o movimento reflete uma recuperação técnica, após um período de forte pressão sobre o papel.
"A C&A sofreu bastante devido aos dados de final de ano do varejo, principalmente de Black Friday e fim de ano, com vendas bem piores, o que levou a uma queda bastante acentuada. Essa melhora de hoje está numa recuperação técnica, ainda que não haja novos dados ou algum drive novo da empresa para frente", afirmou.
Na ponta negativa do índice, entre as poucas baixas do dia, aparecem os papéis da Rumo, CSN, Marcopolo e Multiplan.
De acordo com Moliterno, o desempenho mais fraco está ligado, em parte, ao setor siderúrgico, que havia se destacado na sessão anterior e agora passa por um movimento de realização, sem grandes notícias no radar.