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UBS prevê trimestre mais fraco para C&A: 'vendas decepcionantes'

Banco reduziu preço-alvo da ação da varejista, mas manteve recomendação de compra

C&A: UBS projeta vendas comparáveis de vestuário estáveis no quarto trimestre de 2025 (Germano Lüders/Exame)

C&A: UBS projeta vendas comparáveis de vestuário estáveis no quarto trimestre de 2025 (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 15h31.

O UBS revisou suas projeções para a C&A Modas (CEAB3) após incorporar sinais de um desempenho mais fraco no quarto trimestre de 2025 da varejista. Em relatório divulgado nesta terça-feira, 6, a instituição financeira disse esperar vendas "decepcionantes no período" e reduziu suas estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027, cortando também o preço-alvo da ação de R$ 23 para R$ 20. Por outro lado, o banco manteve a recomendação de compra do papel.

Segundo o UBS, a revisão reflete, principalmente, o tráfego mais fraco nos shoppings em dezembro, especialmente durante o período de Natal, quando houve queda de 9% na circulação de consumidores em relação ao ano anterior, de acordo com dados da consultoria Virtual Gate.

Com base nisso, o banco passou a projetar vendas comparáveis de vestuário estáveis no quarto trimestre, após um crescimento de 8,1% no terceiro trimestre.

"Observamos que as tendências gerais do CEAB se mantiveram estáveis em outubro, mas enfrentaram uma deterioração sequencial em novembro devido ao clima adverso e a um dezembro decepcionante, em meio a um tráfego mais lento e à falta de variedade de produtos mais acessíveis", afirmou o banco.

No varejo de moda, a C&A também apareceu entre os destaques negativos do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), com expectativa de vendas praticamente estagnadas, avanço modesto de 1% na receita de vestuário, vendas em mesmas lojas estáveis e retração da margem Ebtida.

O UBS também destacou o aumento da intensidade promocional no varejo, tanto no ambiente online com plataformas como Amazon, Mercado Livre e Shoppe, quanto no físico, com a ampliação de eventos promocionais, o que pode pressionar o consumo discricionário.

Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, o banco ressalta que a C&A segue apresentando uma sólida geração de fluxo de caixa livre, sustentada pelo controle de despesas gerais, administrativas e de vendas, além da contínua desalavancagem do balanço.

A expectativa é que a companhia tenha encerrado o quarto trimestre com uma posição de caixa líquido de R$ 26 milhões, o que a deixa bem posicionada para financiar investimentos em logística e reformas de lojas.

O que esperar do balanço do 4° trimestre da C&A

Em termos de rentabilidade, o UBS espera que as margens brutas do vestuário permaneçam praticamente estáveis entre outubro, novembro e dezembro, enquanto o bom desempenho do segmento de beleza deve contribuir para uma expansão de 100 pontos-base na margem bruta de mercadorias.

"No geral, esperamos vendas comparáveis estáveis no quarto trimestre para o setor de vestuário e uma ligeira contração de -0,9% na receita de mercadorias em relação ao ano anterior", disse o banco em um trecho do relatório.

Ainda assim, vendas mais fracas tendem a pressionar o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), com expectativa de contração de 30 pontos-base na margem Ebitda ajustada, para 23%, e um Ebtida ajustado de R$ 576 milhões.

Para os próximos anos, o banco reduziu suas estimativas de lucro líquido em cerca de 10%, passando a projetar R$ 511 milhões em 2026 e R$ 566 milhões em 2027.

Mesmo com o ajuste, o UBS avalia que as ações da C&A seguem sendo negociadas a múltiplos pouco exigentes, com Preço sobre o Lucro (P/L) de 6,3 vezes para 2026 e 5,7 vezes para 2027.

A instituição considera que a fraqueza do quarto trimestre tem caráter cíclico, e não estrutural, e vê a estratégia da companhia para 2026 inalterada, incluindo a abertura de 10 a 15 lojas, a realização de 20 a 25 reformas, a expansão da capacidade logística e o avanço em iniciativas como a precificação dinâmica.

C&A reverte parcialmente as perdas

Ontem, no mercado, as ações da C&A recuaram mais de 15%, movimento associado a boatos de que a companhia teria sinalizado ao sellside um quarto trimestre mais fraco que o esperado, com crescimento nulo nas vendas em mesmas lojas, abaixo da expectativa de alta entre 4% e 5%.

No acumulado de 2025, no entanto, os papéis ainda registram valorização de quase 42%. Nesta terça-feira, 6, as ações se recuperam parcialmente, com alta de 1,34% perto das 15h.

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