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Presidente da Colômbia afirma ter escapado de tentativa de assassinato

Denúncia acontece em um contexto de crescente violência, que tem afetado a campanha eleitoral a três meses das eleições presidenciais

Gustavo Petro, presidente da Colômbia (Mauro Pimentel/AFP)

Gustavo Petro, presidente da Colômbia (Mauro Pimentel/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 20h30.

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, revelou nesta terça-feira, 10, que conseguiu escapar de uma tentativa de assassinato enquanto estava a bordo de um helicóptero, após meses de alertas sobre um possível plano de narcotraficantes para atacá-lo.

Petro afirmou que, na noite de segunda-feira, não conseguiu aterrissar em Córdoba, no Caribe colombiano, por causa do receio de que pudessem disparar contra a aeronave em que viajava. A denúncia acontece em um contexto de crescente violência, que tem afetado a campanha eleitoral a três meses das eleições presidenciais, nas quais ele não poderá concorrer à reeleição.

"Ontem à noite não pude pousar porque fui informado de que o helicóptero em que eu viajava com minhas filhas seria alvejado. Eles nem sequer acenderam as luzes do local onde eu deveria pousar", declarou Petro em uma reunião com ministros transmitida ao vivo.

Suposta conspiração contra Petro

A informação sobre a tentativa de assassinato também foi divulgada nas redes sociais por Hollman Morris, gerente do Sistema de Meios Públicos, que afirmou que o próprio presidente revelou a existência do plano. No X, Morris escreveu: "O presidente Gustavo Petro informa ao país que, nos últimos dias, estava sendo planejado um plano para matá-lo."

Segundo o dirigente, o presidente também teria descoberto uma conspiração para colocar substâncias alucinógenas em um automóvel. Além disso, os planos de ataque contra Petro incluíam uma ameaça à família presidencial.

Petro alegou que uma "nova junta do narcotráfico" tenta assassiná-lo desde que assumiu o poder em 2022. Ele afirmou que esse complô envolve narcotraficantes radicados no exterior e guerrilheiros, incluindo Iván Mordisco, o criminoso mais procurado do país e líder da maior dissidência das FARC, grupo que assinou o acordo de paz em 2016.

Fim da paz com Clã do Golfo

Embora as autoridades colombianas ainda não tenham fornecido mais detalhes, a revelação surge poucos dias depois de o Clã do Golfo, o principal cartel de tráfico de drogas da Colômbia, anunciar a suspensão das negociações de paz com o governo Petro em Doha, no Catar. O cartel protestou contra a priorização, por parte dos chefes de Estado, de ações militares e de inteligência contra seu líder, Chiquito Malo, após uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.

O Clã do Golfo, que lidera o maior volume de exportação de cocaína da Colômbia, criticou a decisão de Petro de se alinhar com Trump para intensificar as ações contra seu líder. Antes da reunião com Trump, Petro já enfrentava pressões por sua suposta falta de firmeza contra as máfias, o que levou os EUA a impor sanções contra ele. Em setembro, o governo colombiano e o Clã do Golfo anunciaram o início das conversações de paz no Catar, com o objetivo de buscar o desarmamento do grupo em troca de benefícios legais.

Petro foi alvo de críticas pela sua política de negociar a paz com os principais grupos armados do país, que, segundo opositores, se fortaleceram durante seu mandato. O próprio governo reconhece o aumento do número de integrantes do Clã do Golfo.

Em um comunicado no X, o Clã do Golfo afirmou que a suspensão das negociações era uma resposta ao que considerou uma violação da boa-fé e dos compromissos assumidos até o momento no Catar. A organização informou que se retiraria "provisoriamente" das negociações enquanto seus membros discutem a situação.

Histórico de assassinatos de lideranças políticas

A Colômbia possui uma longa história de assassinatos de líderes políticos, incluindo candidatos presidenciais, em decorrência de alianças entre narcotraficantes, grupos paramilitares e agentes do Estado. Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, já havia denunciado uma tentativa de assassinato contra ele em 2024, que o impediu de comparecer a um desfile militar em 20 de julho daquele ano.

Em 2022, uma comitiva de segurança de Petro foi alvo de uma emboscada com tiros de fuzis em uma estrada no norte da Colômbia. O governo informou que o ataque ocorreu quando o comboio fugia de uma falsa blitz ao se aproximar de San Pablo, em El Tarra, para realizar a segurança do presidente em um evento.

Além disso, em 2025, o ex-senador e pré-candidato à presidência Miguel Uribe foi baleado durante um evento de campanha em Bogotá. Uribe, que foi um dos principais opositores de Petro e conquistou apoio significativo entre os líderes da direita colombiana, morreu em agosto após semanas em estado crítico.

(Com informações das agências O Globo e AFP)

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