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Troca de CEO impulsiona ações da Brava em dia negativo da Bolsa

Anúncio foi bem recebido pelo mercado e por analistas de bancos, que avaliaram a transição como positiva do ponto de vista estratégico

Brava: mudança no comando agradou o investidor

Brava: mudança no comando agradou o investidor

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16h21.

As ações da Brava Energia reagiram positivamente às mudanças anunciadas em sua alta liderança e figuraram entre as maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira, 12, mesmo em um pregão marcado por leve aversão ao risco.

Enquanto o Ibovespa recuava 0,07%, aos 163.272 pontos, por volta das 15h50, os papéis ordinários, com direito ao voto, da companhia (BRAV3) avançavam 3,06%.

Em fato relevante divulgado ao mercado, a Brava informou a renúncia de Décio Oddone ao cargo de diretor-presidente e uma reorganização em sua estrutura de comando. A companhia classificou o movimento como parte de um processo de sucessão previamente planejado.

Oddone permanecerá no comando até 31 de janeiro, com o objetivo de garantir uma transição considerada "gradual e coordenada". Já a partir de 1º de fevereiro, o cargo de CEO será ocupado por Richard Kovacs, atual presidente do Conselho de Administração da Brava. Com a mudança, Alexandre Cruz, sócio fundador e CEO da JiveMauá, assume a presidência do conselho.

O anúncio foi bem recebido pelo mercado e por analistas de bancos, que avaliaram a transição como positiva do ponto de vista estratégico, de governança e de alinhamento entre acionistas e gestão.

Por que o mercado viu com bons olhos a troca?

Relatórios de Santander e Safra destacaram o encerramento de um ciclo operacional importante sob a liderança de Oddone e apontaram que a nova configuração pode abrir espaço para maior foco em alocação de capital, desalavancagem e retorno aos acionistas.

No documento em que destaca o desempenho do papel como superior ao preço atual, outperform, o Santander avalia que o atual CEO "deixa um legado operacional sólido, particularmente no que diz respeito à Atlanta e à Papa-Terra, que agora estão operando de forma mais consistente".

A nomeação de Kovacs para o comando da empresa do setor de óleo e gás reforça uma "transição para uma estrutura mais claramente definida e liderada pelos proprietários", ainda segundo o banco.

"Reduzindo o risco de desalinhamento entre acionistas e administração, especialmente considerando que o bloco de acionistas Ebrasil, Jive e Queiroz Galvão detém cerca de 21% do capital da empresa. Daqui para frente, acreditamos que a Brava poderá aumentar seu foco na desalavancagem, geração de FCFE e maximização do retorno aos acionistas (por exemplo, potencial venda parcial/total de ativos)", afirmou.

Já o Safra avalia que a mudança sinaliza uma nova fase, com maior atenção à alocação de capital e ao retorno aos acionistas, após um período desafiador focado na estabilização operacional.

"Como presidente do conselho, o Sr. Kovacs esteve intimamente envolvido nas operações da Brava e está familiarizado com a base de ativos, as prioridades estratégicas e a estrutura de governança da empresa. Ele tem experiência nos setores financeiro e de energia, com um histórico em funções de liderança, estruturação comercial e desenvolvimento de novos negócios", disse o Safra.

Além disso, o Safra destaca que a nomeação de Alexandre Cruz para a presidência do conselho fortalece ainda mais a governança corporativa, reforçando o alinhamento entre os principais acionistas.

"No geral, avaliamos positivamente as mudanças anunciadas na liderança. As nomeações fortalecem a governança corporativa por meio de uma liderança experiente, um forte alinhamento dos acionistas e um processo de sucessão ordenado", concluiu a instituição financeira.

"O mercado está enxergando isso bem. A troca de CEO e as mudanças importantes na liderança foram bem vistas", afirmou Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.

Segundo o especialista, do ponto de vista do investidor, a alteração no comando pode posicionar melhor a companhia para atravessar um momento de maior sensibilidade das petroleiras juniores, em um cenário influenciado por fatores como preço do petróleo e questões geopolíticas.

Ações da Brava recuaram em 2025

A reação positiva ocorre apesar do ajuste feito pelo JP Morgan. Na sexta-feira, 9, a Brava informou que o banco reduziu sua participação acionária após a venda de posições em instrumentos derivativos lastreados em ações ordinárias. O movimento foi classificado como estritamente financeiro, sem intenção de influenciar o controle ou a governança da companhia.

No mesmo dia, os papéis da companhia de óleo e gás registraram queda de 2,29%. As ações da Brava também figuraram entre as 10 ações que mais caíram na Bolsa brasileira ao longo de 2025, com perda acumulada de 28,4%.

"Mesmo com a redução de posição do JP Morgan, que é um banco relevante e importante, o anúncio [de mudanças na alta liderança] foi visto de forma positiva pelo mercado", disse Teles.

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