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Shutdown: Paralisação parcial nos EUA adia dado mais esperado da semana

Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, em inlês), órgão responsável pela divulgação dos dados, ficou sem orçamento para operar

Payroll: dado do mercado de trabalho não tem nova data de divulgação (Getty Images/Reprodução)

Payroll: dado do mercado de trabalho não tem nova data de divulgação (Getty Images/Reprodução)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 18h08.

Se você costuma começar a sexta-feira de olho nos indicadores econômicos para entender o rumo dos mercados, é melhor ir com calma desta vez. O tão aguardado relatório de empregos dos Estados Unidos (EUA) — o Payroll de janeiro de 2026 —, que estava previsto para ser divulgado no dia 6 de fevereiro, foi oficialmente adiado.

O motivo: o governo americano entrou em um shutdown parcial, ou seja, uma paralisação. O Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, em inglês), órgão responsável pela divulgação dos dados, ficou sem orçamento para operar, de acordo com informação da Dow Jones Newswires.

Com isso, investidores e analistas estão, temporariamente, sem uma das principais referências sobre a saúde da economia dos EUA. Um porta-voz do BLS confirmou ao Barron’s que o relatório de emprego não será divulgado na data programada: as datas devem ser reagendadas quando o financiamento for restaurado.

E o problema não se limita ao Payroll: o "Job Openings and Labor Turnover Survey" (Jolts) — que mede a abertura de vagas no mercado de trabalho — também devem sofrer atrasos. Mesmo que o impasse político seja resolvido rapidamente, há um tempo técnico necessário para reorganizar as operações e atualizar os sistemas, o que pode empurrar as divulgações para datas ainda indefinidas.

O atual shutdown foi provocado por um impasse político envolvendo a pauta de imigração. Parlamentares democratas se recusaram a aprovar recursos para o Departamento de Segurança Interna (DHS, em inglês). A tensão aumentou após a morte de dois manifestantes em operações de repressão à imigração realizadas pelo governo de Donald Trump em Minnesota, o que gerou forte reação política.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, adotou um tom duro ao afirmar que o partido quer "frear o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e pôr fim à violência". Ele também defendeu que agentes federais deixem de usar balaclavas (toucas que cobrem o rosto) durante operações.

"Chega de polícia secreta", declarou Schumer, reforçando que o financiamento do DHS deverá ser negociado separadamente nas próximas semanas.

Analistas avaliam que o impacto desta paralisação tende a ser limitado, já que o impasse atual pode ser resolvido em pouco tempo. O cenário é bem diferente do shutdown recorde de 43 dias ocorrido entre outubro e novembro de 2025.

Por enquanto, o mercado terá que exercitar a paciência e operar com menos informações até que Washington destrave o orçamento e as divulgações econômicas sejam retomadas.

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