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Esses analistas acreditam que o Ibovespa pode chegar a 235 mil pontos em 2026

Relatório da XP aponta espaço para valorização adicional da Bolsa brasileira em um cenário de dólar fraco e fluxo estrangeiro

Ibovespa nos 235 mil pontos: cenário otimista pressupõe lucros e EBITDA 10% superiores ao cenário-base, juros reais mais baixos e expansão de múltiplos em um cenário de fluxo estrangeiro e desvalorização do dólar (Nilton Fukuda / Agência Basil/Agência Brasil)

Ibovespa nos 235 mil pontos: cenário otimista pressupõe lucros e EBITDA 10% superiores ao cenário-base, juros reais mais baixos e expansão de múltiplos em um cenário de fluxo estrangeiro e desvalorização do dólar (Nilton Fukuda / Agência Basil/Agência Brasil)

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 18h04.

O rali que marcou o início de 2026 reforçou, na avaliação da XP Investimentos, a leitura de que a Bolsa brasileira pode ter ainda mais fôlego à frente. Após o Ibovespa avançar 12,56% em janeiro, no melhor desempenho mensal desde novembro de 2020, a corretora revisou para cima suas projeções para o principal índice da B3 e passou a trabalhar com um "valor justo" de 190 mil pontos no cenário-base para 2026.

Em uma hipótese mais otimista, o XP avalia que o movimento de valorização poderia se estender até 235 mil pontos, segundo destacou no relatório Raio-XP Brasil – Estratégia de Ações, divulgado nesta segunda-feira, 2.

A revisão da corretora se insere em um ambiente global marcado pela intensificação da rotação de portfólio para fora dos ativos dos Estados Unidos e pelo fortalecimento da narrativa de desvalorização do dólar.

Bolsa brasileira em alta no contexto de aversão aos EUA

Esse movimento impulsionou a busca por mercados emergentes, metais preciosos e ativos reais ao longo de janeiro, criando um pano de fundo mais favorável para bolsas fora dos EUA.

A XP destaca que ambiente internacional foi marcado por maior volatilidade. O início de 2026 trouxe um aumento das tensões geopolíticas, após a captura de Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e a escalada de atritos entre EUA e Zona do Euro, impulsionados pelo objetivo da administração americana de anexar a Groenlândia.

Apesar de algum alívio ao longo do mês, os mercados passaram a precificar riscos mais estruturais, especialmente para a coesão da Otan e para as relações econômicas entre americanos e europeus.

No campo macroeconômico, os juros de longo prazo no Japão subiram de forma acentuada, em meio a preocupações fiscais ligadas ao cenário eleitoral.

Já nos EUA, a definição do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) permaneceu no centro das atenções, diante do receio de uma indicação mais política. Ao final do mês, na sexta, 30, o ex-diretor do Fed Kevin Warsh foi anunciado como o escolhido para o cargo.

Esse cenário reforçou o movimento de rotação global. O dólar perdeu força, com o índice DXY atingindo o menor nível desde setembro de 2025, enquanto o rali dos metais preciosos se intensificou, apesar de uma correção no fim de janeiro. No acumulado do mês, o ouro avançou 12% e a prata, 17%.

No mercado acionário, o desempenho dos Estados Unidos ficou para trás em relação a outras regiões. Enquanto o S&P 500 subiu 1,4% e o Nasdaq avançou 1,2%, índices de small caps americanas, ações fora dos EUA e mercados emergentes apresentaram ganhos mais expressivos. O índice de mercados emergentes avançou 8,8% no período.

Nesse ambiente, o Brasil se destacou como um dos principais destinos dos fluxos globais.

De acordo com dados da consultoria Elos Ayta, a referência acionária brasileira acumulou valorização de 18,42% em dólares até o fim de janeiro. Um valor que garantiu o terceiro melhor desempenho global entre todos os mercados analisados, atrás apenas do S&P/BVL General, do Peru, que avançou 22,51% em dólares, seguido pelo MSCI Colcap, da Colômbia, com ganho de 21,16%.

O relatório da XP cita dados da B3, que mostram que os investidores estrangeiros foram compradores líquidos de R$ 23,1 bilhões em ações brasileiras no acumulado do ano, o equivalente a 90,5% de todo o fluxo estrangeiro registrado em 2025.

Informações de ETFs indicam que parte relevante dessas entradas ocorreu por meio de fluxos passivos, com captações acima das médias históricas em produtos como o EWZ e fundos focados em emergentes.

Outros ativos locais também tiveram desempenho positivo. O dólar recuou para R$ 5,26, no menor patamar desde junho de 2024, enquanto a curva de juros apresentou fechamento ao longo do mês

No campo doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, como amplamente esperado pelo mercado, mas sinalizou que o início do ciclo de flexibilização monetária deve ocorrer em março. O cenário político segue no radar dos investidores, com atenção especial às pesquisas eleitorais.

Ibovespa em 235 mil pontos

Os analistas da XP também ressaltam que, diante da alta histórica do Ibovespa, todos os setores apresentaram desempenho positivo em janeiro, com destaque para educação, mineração e siderurgia e óleo, gás e petroquímicos.

O setor de educação avançou 34,5%, beneficiado por elevações de recomendação por bancos de investimento. Já mineração e siderurgia subiu 20,1%, impulsionado principalmente pela valorização da Vale, enquanto óleo e gás avançou 21,4%, sustentado pelo desempenho da Petrobras e pela alta dos preços do petróleo.

Na avaliação da corretora, o desempenho das ações brasileiras reflete uma mudança mais ampla de regime global.

"Vemos o ambiente atual como um regime de desvalorização do dólar e reflação tolerada, no qual o risco-retorno das ações americanas se encontra cada vez mais esticado, os ativos reais recuperam relevância como instrumentos de hedge em carteiras e o capital passa a rotacionar gradualmente dos ativos financeiros dos EUA para commodities e emergentes ligados a commodities", afirmaram os analistas da XP liderados Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do research.

Nesse contexto, a XP avalia que o Brasil tende a se beneficiar de forma mais intensa caso o cenário favorável se consolide. Isso porque a bolsa brasileira combina forte exposição a empresas ligadas a commodities, perspectiva de início do ciclo de queda de juros no país e preços ainda considerados baixos em comparação a outros mercados.

Além disso, mesmo após a recuperação recente, as ações brasileiras seguem negociando com desconto em relação a mercados emergentes e ao mercado global.

Ao elevar o valor justo do Ibovespa de 185 mil pontos para 190 mil, a corretora diz considerar a média de quatro metodologias, incluindo modelos de fluxo de caixa descontado, múltiplos de lucro e Ebitda e uma abordagem bottom-up baseada nos preços-alvo dos analistas da XP.

Já o cenário otimista, que projeta o índice em 235 mil pontos, pressupõe lucros e EBITDA 10% superiores ao cenário-base, juros reais mais baixos e expansão de múltiplos.

"No cenário pessimista, assumimos que os lucros/EBITDA serão 10% menores, os juros reais aumentarão para 8,5%, e os múltiplos irão comprimir para suas mínimas. Nesse caso, vemos um valor justo de 144.000 pontos (potencial de queda de 20%)", ponderou a XP.

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