UBS BB: alguns bancos estão menos descontados do que outros (Divulgação/Site Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16h21.
As ações dos grandes bancos brasileiros viraram destaque no mercado depois de um 2025 de forte valorização. O setor teve um desempenho muito acima da média global, ficando atrás apenas dos bancos europeus. Fica então a dúvida: depois de tanta alta, os papéis ficaram caros?
Segundo relatório do UBS BB, os principais bancos do país tiveram uma valorização média de 47% em 2025. Esse movimento elevou os múltiplos do setor: o indicador Preço/Lucro (P/L) projetado para 12 meses passou de 7,7 vezes (x) em 2024 para 8,3x no fim de 2025.
O Índice Financeiro (IFNC) da bolsa de valores brasileira (B3), composto por ações de bancos, seguradoras, credenciadoras de cartões e empresas de serviços financeiros, registrou uma alta de 53,69% nos últimos 12 meses e de 16,73% somente em 2026, a 20.076,41 pontos.
Quando a comparação é feita com o próprio histórico das instituições, o cenário é misto. O Itaú Unibanco, por exemplo, já negocia com um leve prêmio. Bradesco e Santander Brasil, por outro lado, ainda aparecem com desconto. Só que a comparação mais relevante não é a interna, mas sim com o restante do mundo.
Mesmo após o rali de 2025, os bancos brasileiros continuam mais baratos do que seus pares internacionais. O UBS BB, ao comparar os 214 bancos globais que acompanha, indica que os grandes bancos do Brasil ainda eram negociados com um desconto médio de 31% em janeiro de 2026.
Esse desconto já foi maior — chegou a 50% em 2024 —, mas segue expressivo, principalmente em relação a outras regiões. Na América Latina, o desconto médio é de cerca de 30% e nos mercados desenvolvidos, de 35%.
Um caso curioso é o do Santander. Historicamente, a unidade brasileira negociava com prêmio em relação ao grupo controlador espanhol. Desde meados de 2025, essa lógica se inverteu: hoje, a matriz está mais cara que o Santander Brasil.
Um dos fatores centrais para a valorização recente do segmento bancário local foi a queda dos juros de longo prazo no Brasil. As taxas, que chegaram a cerca de 16% em dezembro de 2024, recuaram para aproximadamente 13% no início de 2026.
O UBS BB explica que "a consolidação de um cenário de taxas de juros mais baixas deve levar a uma redução no Custo de Capital Próprio", e estima que cada redução de 100 pontos-base nesse custo pode impactar o valor justo dos grandes bancos entre 12% e 14%.
Outro ponto crucial é a rentabilidade, já que os bancos brasileiros continuam apresentando um retorno sobre o patrimônio (ROE, em inglês) superior ao de seus pares internacionais, o que explica por que eles costumam negociar com prêmio quando se observa o múltiplo Preço/Valor Patrimonial (P/VP).
Na hora de escolher onde colocar o dinheiro, os analistas do UBS BB trazem visões bem distintas para os gigantes do setor bancário, onde o Santander Brasil é o queridinho da vez, com recomendação de "compra" e sendo negociado a 7,7x o lucro esperado para 2026.
O Bradesco também está com sinal verde para "compra", sendo visto como um papel que negocia com 8% de desconto em relação à sua média histórica. No entanto, o Itaú recebe recomendação "neutra", conforme os analistas Thiago Batista, Olavo Arthuzo e Beatriz Shinye, do UBS BB.
Apesar de ser considerado um banco de alta qualidade, o relatório avalia que há pouco espaço para novas valorizações expressivas no curto prazo para o Itaú, que negocia a 9,6x o lucro de 2026, um prêmio de 19% sobre sua média histórica.
O UBS BB sugere uma alternativa para quem quer, ainda assim, ficar exposto ao Itaú, vendo "a Itaúsa (holding que controla o banco) como uma forma de ganhar exposição ao Itaú", pois o desconto dela, atualmente em 23,4%, é considerado excessivo pelos analistas.
As fintechs aparecem como um universo separado, a exemplo do Nu Holdings: Nubank, o qual negocia a 5,8x o valor patrimonial projetado para 2026, com um spread de ROE de 16,9% e recomendação de "compra". Entre os bancos tradicionais, apenas o Itaú opera acima de 2,0x P/VP.
XP Inc. e Inter & Co também recebem recomendação de "compra" no relatório, sendo mais sensíveis a mudanças no custo de capital. Segundo o UBS BB, uma queda de 100 pontos-base no custo de capital poderia elevar o valor justo do Nubank em 20%, e o da XP e do Inter em 16%, isto é, acima do impacto estimado para os bancos tradicionais.
O UBS BB projeta que o lucro por ação dos bancos brasileiros deve crescer 26% em 2025 e 19% em 2026, bem acima da média global, que gira em torno de 8% a 9% ao ano. Nos bancos tradicionais, a expectativa é de expansão de 17% em 2025 e 15% em 2026, também superior ao ritmo internacional.
Entre as instituições de menor porte, o UBS BB recomenda "compra" para o ABC Brasil, negociado a 5,7x o lucro de 2026, ao passo que Banrisul e BMG recebem recomendação "neutra". O Banrisul, por exemplo, negocia a 0,7x seu valor patrimonial, reflexo de um ROE mais baixo, próximo de 10%.
Apesar da forte alta recente, o desempenho acumulado dos bancos brasileiros desde 2023 ainda é parecido, ou até inferior, ao de outros bancos da América Latina e do mundo. Isso pode indicar que boa parte do rali de 2025 representou uma recuperação de valuations que estavam muito deprimidos.
O UBS BB entende, ainda, que o setor bancário brasileiro ainda não está caro quando comparado ao cenário global, mesmo após um ano de valorização expressiva. Com crescimento de lucros acima da média mundial e juros em trajetória de queda, o segmento segue no radar dos investidores.