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'Macro desafiador' derruba lucro e rentabilidade do Santander no 1º tri

Inadimplência para empréstimos atrasados voltou a subir e provisões seguem elevadas

Santander Brasil: juros altos impactaram balanço (Divulgação/Site Exame)

Santander Brasil: juros altos impactaram balanço (Divulgação/Site Exame)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 29 de abril de 2026 às 07h05.

O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, queda de 1,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior e de 7,3% em relação ao quarto trimestre de 2025.

A rentabilidade medida pelo ROAE — retorno sobre o patrimônio líquido médio — recuou para 16,0%, com perdas de 1,5 ponto percentual no ano e de 1,6 p.p. no trimestre.

O banco atribui o desempenho a um "cenário macroeconômico desafiador", expressão que aparece repetidamente no relatório para justificar a pressão sobre provisões e inadimplência. Juros elevados e alto endividamento das famílias brasileiras são os principais vetores citados pela instituição.

Provisões pesam no resultado

A principal linha de pressão sobre o lucro foi a PDD — provisão para devedores duvidosos, reserva que o banco constitui para cobrir perdas esperadas na carteira de crédito.

O resultado de PDD gerencial totalizou R$ 6,344 bilhões no trimestre, alta de 3,9% em relação ao 4T25, ainda que levemente abaixo do registrado no 1T25, quando somou R$ 6,390 bilhões.

O banco reconhece que a linha "mantém-se pressionada pelo cenário macroeconômico", mas pondera que a queda anual reflete a gestão ativa de riscos e a melhoria no mix da carteira, com maior participação de operações de menor risco.

Além da PDD, as provisões para contingências — reservas para cobrir eventuais perdas em processos judiciais e disputas regulatórias, sem relação direta com a carteira de crédito — avançaram 21,3% na comparação anual, atingindo R$ 1,126 bilhão. O relatório não detalha a origem do aumento, mas o crescimento acima da média reforçou a pressão sobre as outras despesas operacionais, que totalizaram R$ 2,3 bilhões no período.

Inadimplência segue em alta

O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,3% no trimestre, com alta de 0,2 ponto percentual em relação ao 4T25 e de 0,6 p.p. na comparação anual. A deterioração foi mais intensa em pessoas físicas de menor renda e no segmento de pequenas e médias empresas.

O NPL de PMEs chegou a 6,0%, avanço de 0,5 p.p. no trimestre e de 1,4 p.p. no ano, a piora mais acentuada entre os segmentos. Em pessoas físicas, o índice subiu para 4,9%, alta de 0,3 p.p. no trimestre.

O banco ressalva que parte da alta recente nos índices de inadimplência reflete uma mudança de critério contábil, não necessariamente uma piora adicional na qualidade da carteira.

Ao longo de 2025, o Santander revisou sua política de write-off — baixa a prejuízo de créditos irrecuperáveis —, passando a antecipar essas retiradas do balanço.

Com a mudança ainda em implementação em 2026, créditos que antes saíam da carteira mais cedo agora permanecem por mais tempo, pressionando os índices para cima. O write-off do trimestre somou R$ 5,508 bilhões, alta de 31,9% em relação ao 4T25.

Margem com mercado ainda negativa, mas melhora no trimestre

A margem financeira total somou R$ 15,812 bilhões, queda de 0,7% no ano, mas alta de 3,1% em relação ao 4T25. O resultado reflete dinâmicas opostas entre seus dois componentes.

A margem com clientes, gerada pela intermediação financeira tradicional, avançou 4,8% no ano, para R$ 16,584 bilhões, beneficiada por crescimento de volume, ampliação de spread e maior remuneração do capital de giro impulsionada pela Selic elevada.

Já a margem com mercado permanece negativa pelo quarto trimestre consecutivo, em R$ -771 milhões, embora tenha melhorado expressivamente ante os R$ -1,486 bilhão do 4T25.

Na comparação anual, a deterioração é significativa: no 1T25, essa linha era positiva em R$ 97 milhões. O banco explica que a sensibilidade negativa ao ciclo de alta dos juros é o principal fator. Posições estruturais do balanço, como hedge de investimentos no exterior, geram perdas contábeis quando a Selic sobe.

Receitas crescem, comissões se destacam

A receita total atingiu R$ 21,248 bilhões no trimestre, alta de 0,9% no ano. As comissões somaram R$ 5,435 bilhões, com crescimento de 5,8% na comparação anual, refletindo a estratégia de diversificação de receitas entre crédito e serviços.

Os destaques ficaram com seguros, que avançou 12,2% no ano para R$ 1,117 bilhão, impulsionado por produtos não atrelados a crédito como o seguro auto e o novo Proteção Vitalícia, e com cartões, que cresceu 9,8% para R$ 1,560 bilhão.

Na comparação trimestral, as comissões caíram 5,5%, movimento típico do primeiro trimestre, quando o faturamento em cartões recua após o pico de consumo do fim de ano.

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