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Oncoclínicas sobe mais de 60% com possível acordo com Porto e Fleury

Acordo prevê aporte de R$ 500 milhões e transferência de ativos para uma NewCo; operação ainda depende de aprovação interna das companhias

Oncloclínicas: Fleury entra no possível acordo com Porto (Oncoclínicas/Reprodução)

Oncloclínicas: Fleury entra no possível acordo com Porto (Oncoclínicas/Reprodução)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 23 de março de 2026 às 15h43.

Última atualização em 14 de abril de 2026 às 13h43.

As ações da Oncoclínicas ONCO3 dispararam mais de 40% nesta segunda-feira, 23, após a reação do mercado à entrada da Fleury (FLRY3) em uma potencial estrutura conjunta no segmento de oncologia, que já contava com a participação da Porto Seguro (PSSA3). Às 16h40 (horário de Brasília), os papéis disparavam 64%%, sendo negociados a R$ 2,57.

A operação ainda está em fase preliminar. As companhias aderiram a um termo de compromisso não vinculante, sujeito à aprovação interna. A Porto Seguro havia assinado o acordo na última semana, enquanto a Fleury formalizou sua adesão nesta segunda-feira, 23.

Segundo fato relevante divulgado pela Fleury, o documento é essencialmente o mesmo já anunciado anteriormente entre Porto e Oncoclínicas, com a companhia passando agora a integrar a estrutura como co-investidora, com a possibilidade de aporte de R$ 500 milhões.

A Oncoclínicas concedeu exclusividade de negociação por 30 dias, contados a partir de 13 de março, data da assinatura original do acordo entre Porto e a empresa.

A proposta prevê a criação de uma nova empresa (NewCo) para concentrar os ativos e operações relacionados às clínicas oncológicas da Oncoclínicas. Segundo relatórios de análise do BTG Pactual e do Itaú BBA divulgados nesta segunda-feira, a ONCO3 transferiria esses ativos para a NewCo em troca de ações. Além disso, a nova empresa assumiria R$ 2,5 bilhões dos passivos atuais da companhia.

As operações hospitalares ficariam fora da NewCo, segundo fato relevante da Oncoclínicas.

A dívida líquida da companhia era de R$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, considerando o recente aumento de capital.

Previsão de aporte

A proposta também prevê aporte de R$ 500 milhões pela Porto Seguro e Fleury, por meio de uma holding controladora (HoldCo), que passaria a deter o capital votante da NewCo. A participação entre as duas empresas ainda não está definida.

Além disso, o modelo prevê:

  • emissão de R$ 500 milhões em debêntures conversíveis (títulos de dívidas que podem ser convertidos em participação acionária);
  • prazo de quatro anos;
  • remuneração de 110% do CDI até a conversão.

As debêntures seriam subscritas pela holding, enquanto a Oncoclínicas teria direito de subscrever até 30% desse total.

Segundo o BTG Pactual, o fato relevante ainda precisa de detalhes importantes para uma avaliação completa da estrutura.

Considerando discussões recentes sobre o alto endividamento da Oncoclínicas, [grifar]a operação poderia permitir que a companhia continuasse operando, o que parece ser um dos objetivos estratégicos da Porto Seguro.

Ainda assim, permanecem dúvidas sobre a trajetória de desalavancagem orgânica da empresa, mesmo com eventual redução de dívida. Na avaliação do BTG, o acordo pode ampliar o suporte financeiro e estender o horizonte de liquidez da Oncoclínicas. O banco mantém recomendação Neutra para ONCO3.

Para a Fleury, o BTG avalia que a operação pode trazer escala relevante ao negócio de oncologia da empresa, já que a Oncoclínicas tem mais de 140 clínicas. Ainda assim, o banco pondera que o racional estratégico da participação da Fleury ainda não está claro.

A empresa já possui exposição ao segmento por meio da joint venture Croma Oncologia, parceria com Bradesco Saúde e Beneficência Portuguesa, e teria capacidade de expandir essa atuação organicamente.

Caso a companhia aporte R$ 500 milhões, considerando divisão igual com a Porto Seguro, o valor representaria cerca de 6% do valor de mercado da Fleury. Nesse cenário, para o BTG, não está claro quais seriam os benefícios frente aos riscos envolvidos.

Na avaliação do banco, faz mais sentido estratégico para a Porto Seguro garantir a sustentabilidade de um prestador relevante dentro da sua rede. Caso o acordo evolua para definitivo, o efeito inicial tende a ser negativo para o case de investimento da Fleury, hoje visto como um negócio estável, gerador de dividendos e com forte geração de caixa livre.

A nova estrutura poderia alterar essa percepção ao envolver co-controle de uma empresa alavancada e com maior risco operacional. Já para o Itaú BBA, a operação parece estrategicamente consistente com a expansão da Fleury em segmentos de maior complexidade e crescimento, como oncologia.

Execução e estrutura ainda geram incertezas

Entre os principais pontos de atenção destacados pelos analistas estão:

  • necessidade de novos credenciamentos com operadoras;
  • possível perda de acordos de exclusividade atuais;
  • ambiente mais desafiador para o setor.

Também permanecem indefinidos:

  • a parcela do EBITDA que será transferida para a NewCo;
  • o valuation implícito da operação;
  • a participação correspondente ao investimento de R$ 500 milhões.
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