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ArPa 2026: as exposições para ver dentro e fora da feira

A 5ª edição chega ao Pacaembu com 60 galerias de 9 países e programação paralela que se espalha pela cidade

Vista geral da ArPa no Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo (Divulgação)

Vista geral da ArPa no Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo (Divulgação)

GF
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 29 de maio de 2026 às 15h24.

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A feira ArPa chegou à quinta edição. Até 31 de maio, cerca de 60 galerias de 9 países ocupam o Mercado Livre Arena Pacaembu num formato que, desde a primeira edição em 2022, funciona pela lógica oposta às grandes feiras: número limitado de artistas por estande, curadoria por convite e estandes organizados como miniexposições. A proposta segue a mesma, mas a estrutura cresceu. Em 2026, a feira se organiza em cinco setores: Principal, UNI, Base, Editorial e Institucional.

O Setor UNI, um dos mais comentados nas edições anteriores, volta sob curadoria da colombiana Ana Sokoloff, radicada em Nova York, com o título "Forms of Continuity: Modern and Contemporary Positions from Latin America" e 14 mostras individuais de artistas contemporâneos. O Setor Base aposta em duplas formadas por artistas com relação pedagógica, que apresentam projetos conjuntos e participam de conversas mediadas durante a feira. O Editorial reúne editoras independentes que tratam o livro como peça do ecossistema da arte contemporânea.

No Setor Principal, um dos projetos mais aguardados é o solo de Rodrigo Matheus na Fortes D'Aloia & Gabriel. O paulistano radicado em Paris constrói uma instalação com espículas de aço e cabelo sintético. Da estrutura central emergem paisagens pré-históricas, ecos de pinturas rupestres e naturezas-mortas florais.

ArPa 2026

Rodrigo Matheus, Humanos e Animais, 2026 (Divulgação)

Nas paredes, obras menores expandem o mesmo vocabulário. A Galeria Raquel Arnaud coloca em diálogo Wolfram Ullrich e Felipe Pantone: o alemão enraizado na arte concreta desde o final dos anos 1980 e o argentino que começou no graffiti e na tipografia desenvolvem pesquisas distintas que convergem no mesmo ponto, a percepção e a cor como fenômeno óptico.

Para além do Pacaembu, uma programação paralela de 12 exposições acompanha o período da feira. O bloco mais denso é o dedicado a Almir Mavignier, cujo centenário foi celebrado no ano passado.

A DAN Galeria Contemporânea, que representa o espólio do artista, apresenta um panorama amplo com pinturas, obras gráficas e um painel inédito de grandes dimensões, último trabalho que Mavignier realizou, além de obras do período em que frequentou o ateliê de arte terapia de Engenho de Dentro com Nise da Silveira.

Na Paulo Kuczynski Galeria, o foco é o diálogo com Arthur Luiz Piza, numa aproximação entre a vibração óptica de um e a materialidade do relevo do outro. A Unibes Cultural fecha o tripé com 51 tipografias derivadas digitalmente das obras do artista, ao lado de cartazes e peças gráficas.

ArPa 2026

Felipe Pantone, obra apresentada pela Galeria Raquel Arnaud na ArPa 2026 (Divulgação)

Na Danielian, duas exposições ocupam endereços diferentes na Rua Estados Unidos. No 2114, a coletiva Ainda Bem, com curadoria de Clarissa Diniz, reúne 28 artistas dos séculos XIX, XX e XXI a partir de uma frase de Gustavo Speridião: "Ainda bem que este tipo de arte um dia irá acabar." No 2157, Ana Neves apresenta As Feras / Às Feras, dez obras inéditas que articulam o corpo humano à fauna, à flora e a objetos. O canavial, a onça e o boi remetem à Zona da Mata pernambucana onde a artista vive e trabalha.

ArPa 2026

Wolfram Ullrich, obra apresentada pela Galeria Raquel Arnaud na ArPa 2026 (Divulgação)

A Zipper Galeria exibe dois projetos simultâneos. No andar superior, Romy Pocztaruk apresenta Mega Hair, com esculturas de concreto envolvidas por fibra sintética de aplique capilar. Mechas longas pendem da parede, tranças espessas sustentam blocos empilhados. O que deveria ser cosmético assume função estrutural.

No espaço principal, Fio d'água, de Laura Villarosa, reúne trabalhos em que pintura e bordado se constituem mutuamente em paisagens que parecem anteriores ao mapa. A Galatea inaugura em 28 de maio Memórias particulares, com obras de Volpi, Di Cavalcanti, Portinari, Anita Malfatti e Lasar Segall, e Alfabeto Solare, individual de Edival Ramosa com trabalhos de quase cinco décadas, parte deles exibidos na 36ª Bienal de São Paulo. O Museu Judaico traz Burle Marx: Plantas em Movimento, com curadoria de Isabela Ono e Guilherme Wisnik, até 2 de agosto.

E o projeto ABERTO5 encerra visitação em 31 de maio na Casa Bola, obra de Eduardo Longo construída entre 1974 e 1979 e aberta ao público pela primeira vez.

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