Acordo com Porto: criação de nova empresa com operações de clínicas oncológicas atualmente controladas pela Oncoclínicas (Oncoclínicas/Divulgação)
Repórter de Mercados
Publicado em 16 de março de 2026 às 09h26.
A Oncoclínicas (ONCO3) confirmou a assinatura de um termo de compromisso não vinculante com a Porto Seguro (PSSA3) que prevê a criação de uma nova empresa. A informação foi veiculada inicialmente pelo Brazil Journal. Pelos termos do entendimento, a nova companhia concentraria os ativos e as operações de clínicas oncológicas atualmente controladas pela Oncoclínicas.
A Porto Seguro aportaria R$ 500 milhões no negócio e passaria a deter um número de ações ordinárias suficiente para garantir o controle do capital votante da nova empresa, com participação mínima de 30% do capital social.
A Oncoclínicas afirmou que o termo de compromisso tem caráter preliminar e não vinculante. Por esse motivo, segundo a companhia, a divulgação de fato relevante não era necessária neste momento.
Dois conselheiros independentes da Oncoclínicas, Marcos Grodezky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos, votaram contra a decisão de assinar o acordo com a Porto.
Ainda de acordo com o comunicado, a empresa se comprometeu a negociar exclusivamente com a Porto por um período de 30 dias.
Também no domingo, a Oncoclínicas anunciou a renúncia de Camile Loyo Faria aos cargos de vice-presidente executiva, diretora financeira e diretora de relações com investidores da companhia.
Antes de ingressar na empresa, Camile era CFO da Americanas onde teve papel fundamental na organização financeira interna da companhia após os escândalos contábeis da varejista. Ela havia sido contrata pela Oncoclínicas no mês passado.
A Oncoclínicas (ONCO3) está à beira de um calote. A agência Fitch rebaixou a nota de crédito da empresa para 'C(bra)' em março de 2026, nível que antecede a inadimplência. A companhia deve encerrar o ano com menos de R$ 100 milhões em caixa, projeta a Fitch, enquanto tem R$ 745 milhões em dívidas vencendo ainda em 2026.
A exposição ao Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial, agravou ainda mais o rombo. A Oncoclínicas detinha R$ 478 milhões em CDBs do banco, mas parte já havia sido resgatada antes da liquidação.
A crise já saiu do balanço e chegou à estrutura de comando. O fundador Bruno Ferrari deixou a presidência em março de 2026 após meses de pressão de investidores — em especial da gestora Latache, que conquistou maioria no conselho —, e o médico Carlos Gil Moreira Ferreira assumiu o cargo de forma interina.
Para levantar caixa, a empresa vendeu participações em dois hospitais, mas a Fitch avalia o valor esperado — cerca de R$ 290 milhões — como insuficiente para enfrentar o tamanho da dívida.