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AST: empresa de satélites derrete na bolsa após explosão de foguete da Blue Origin

Quarta missão do New Glenn seria a primeira de 24 lançamentos contratados com a Amazon para o Project Kuiper

New Glenn: segundo grande acidente em menos de dois meses interrompe planos de lançamento da Blue Origin.

New Glenn: segundo grande acidente em menos de dois meses interrompe planos de lançamento da Blue Origin.

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 29 de maio de 2026 às 10h07.

As ações da AST SpaceMobile (ASTS) despencam no pré-mercado desta sexta-feira, 29. Durante o pregão de quinta, 28, o papel havia subido quase 3%, fechando a US$ 133,09 na Nasdaq, e caminhava para a quarta semana seguida de alta, além do melhor mês em quase um ano.

A virada veio nas negociações do pré-mercado, com as ações caindo 13,6%, a US$ 114,98. A causa foi uma explosão no foguete New Glenn, da Blue Origin, que reacendeu dúvidas sobre o plano da empresa de lançar 45 satélites em 2026. Nos últimos 12 meses, acumula valorização de 464%, saindo de uma mínima de US$ 22,47.

O foguete da Blue Origin explodiu durante um teste estático na base de lançamento. A empresa de Jeff Bezos confirmou uma "anomalia" pelo X e informou que todos os funcionários estavam bem, mas foi o segundo grande contratempo envolvendo o veículo em menos de dois meses.

O incidente ocorreu dias depois que a Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês) havia liberado o foguete para retomar os voos após a investigação do incidente anterior, segundo informações divulgadas pelo Yahoo Finance.

Uma sequência de tropeços da ASTS

Para entender por que o mercado reagiu tão mal, é preciso voltar algumas semanas. Na terceira missão do New Glenn, uma falha no estágio superior impediu o satélite BlueBird 7, da própria AST SpaceMobile, de alcançar a órbita pretendida. O satélite foi perdido.

A AST tinha seguro para a missão, o que amorteceu o impacto financeiro direto, mas o episódio já havia deixado os investidores em alerta. Agora, com o New Glenn fora de operação novamente antes mesmo de voar pela quarta vez, a questão que volta à tona é se a empresa consegue cumprir sua promessa de colocar 45 satélites em órbita.

A quarta missão do New Glenn seria a primeira de 24 lançamentos contratados com a Amazon para o Project Kuiper, e o veículo, com seu compartimento de carga de 7 metros, é especialmente adequado para os satélites maiores da próxima geração da AST, os Block 2, que podem ser enviados em grupos por voo.

A Blue Origin havia planejado até 12 lançamentos do New Glenn só neste ano.

A empresa tenta segurar o otimismo

Do lado da ASTS, o discurso é de que o plano segue de pé. O CEO Abel Avellan disse recentemente à CNBC que a empresa está "no caminho certo" para a meta, com lançamentos previstos "aproximadamente a cada mês".

O presidente Scott Wisniewski reforçou que a companhia conta com "alguns" lançamentos tanto pela Blue Origin quanto pela SpaceX, ou provedores equivalentes, e tem capacidade contratada suficiente para o cronograma.

Os satélites BlueBirds 8, 9 e 10 já estão em Cabo Canaveral, aguardando um lançamento pelo Falcon 9 previsto para meados de junho, em fase de processamento e integração final.

O analista de comunicações de satélites Tim Farrar, no entanto, já havia alertado que atingir a meta de 45 satélites exige execução precisa em múltiplas frentes, e cada novo contratempo do New Glenn comprime essa janela.

Bezos, Musk e Nasa reagem à 'anomalia'

O acidente gerou reações imediatas de nomes relevantes do setor. O fundador da Blue Origin, Jeff Bezos, foi direto: "dia muito difícil, mas vamos reconstruir o que precisar ser reconstruído e voltar a voar. Vale a pena."

O CEO da SpaceX, Elon Musk, cujos foguetes dominam o mercado comercial de lançamentos, comentou o comunicado da Blue Origin com uma mistura de solidariedade e pragmatismo: "lamento ver isso, espero que se recuperem rapidamente", escreveu, acrescentando em outro post: "muito infeliz. Foguetes são difíceis."

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, disse que a agência acompanha o ocorrido no Complexo de Lançamento 36 e avaliará possíveis impactos nos programas Artemis e Moon Base. "Voos espaciais não perdoam, e desenvolver nova capacidade de lançamento pesado é extraordinariamente difícil."

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