Porto: aporte de R$ 500 milhões na Oncoclínicas (Porto/Divulgação)
Editor de Invest
Publicado em 16 de março de 2026 às 14h29.
Em um dia de alta para o Ibovespa, com poucas ações em baixa, a Porto (PPAS3) lidera as perdas do índice. A queda coincide com o anúncio de um possível aporte de R$ 500 milhões da empresa na Oncoclínicas (ONCO3), pré-combinado por meio da assinatura de um termo de compromisso não vinculante. No negócio, a Porto passaria a deter 30% das ações ordinárias da Oncoclínicas e as operações de clínicas oncológicos da empresa ficaria sob a gestão de uma nova empresa.
Por volta das 11h17 (horário de Brasília), as ações PPAS3 caíam 2,43%, a R$ 48,11. Já os papéis ONCO3 operavam em forte alta, subindo 4,3%, a R$ 1,93.
A Oncoclínicas (ONCO3) está à beira de um calote. A agência Fitch rebaixou a nota de crédito da empresa para 'C(bra)' em março de 2026, nível que antecede a inadimplência. A companhia deve encerrar o ano com menos de R$ 100 milhões em caixa, projeta a Fitch, enquanto tem R$ 745 milhões em dívidas vencendo ainda em 2026.
A exposição ao Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial, agravou ainda mais o rombo. A Oncoclínicas detinha R$ 478 milhões em CDBs do banco, mas parte já havia sido resgatada antes da liquidação.
A crise já saiu do balanço e chegou à estrutura de comando. O fundador Bruno Ferrari deixou a presidência em março de 2026 após meses de pressão de investidores — em especial da gestora Latache, que conquistou maioria no conselho —, e o médico Carlos Gil Moreira Ferreira assumiu o cargo de forma interina.
Para levantar caixa, a empresa vendeu participações em dois hospitais, mas a Fitch avalia o valor esperado — cerca de R$ 290 milhões — como insuficiente para enfrentar o tamanho da dívida.
O JP Morgan classificou o movimento como neutro para a Porto. Na avaliação do banco, o eventual aporte fortaleceria financeiramente um parceiro estratégico da seguradora na área de saúde, dando mais solidez ao balanço da Oncoclínicas e preservando a parceria entre as empresas em um momento de maior consolidação no setor. O banco também avalia que a Porto tende a exigir retorno financeiro adequado no negócio, o que demandaria ajustes prévios no perfil de dívida da companhia oncológica.
Do ponto de vista da Oncoclínicas, o JP Morgan enxerga o aporte de forma positiva, por reduzir riscos de continuidade das operações diante da pressão de caixa recente. A ressalva, no entanto, é a baixa visibilidade sobre uma eventual reestruturação da dívida — fator que o banco considera chave para avaliar o impacto real da operação sobre o valor da empresa.
O Citi mantém recomendação de venda para os papéis ONCO3, com preço-alvo de R$ 1,60, mas reconhece que a operação melhoraria de forma significativa a flexibilidade financeira da Oncoclínicas, que passaria a contar com um parceiro estratégico de peso — conferindo maior resiliência operacional e capacidade de enfrentar as pressões de caixa do curto prazo.