Ao assumir o comando da Berkshire Hathaway com US$ 373,3 bilhões em caixa, Greg Abel optou por enviar um sinal direto ao mercado: não haverá ruptura com a era Warren Buffett.
Em sua primeira carta anual como CEO, o executivo afirmou que a cultura de conservadorismo financeiro e disciplina na alocação de capital continuará “em perpetuidade”.
Abel assumiu o cargo no início de 2026, após Buffett deixar a função de CEO aos 95 anos. O investidor segue como presidente do conselho e continua ativo na companhia.
Na carta, o novo CEO destacou que a prioridade é preservar a solidez financeira da empresa, mantendo um balanço robusto, uso prudente de dívida e elevada liquidez.
Buffett reduz apostas em Apple e Amazon em último trimestre como CEO
Segundo ele, o caixa bilionário representa reserva estratégica para aproveitar oportunidades sem comprometer a resiliência do conglomerado.
Ele rejeitou a interpretação de que o volume elevado de recursos represente retração nos investimentos. Afirmou que a Berkshire continuará avaliando oportunidades com paciência e disciplina.
Sem dividendos e com recompra seletiva
Abel reiterou que a companhia não pagará dividendos enquanto cada dólar retido tiver potencial de gerar mais de um dólar em valor de mercado para os acionistas.
A política é revisada anualmente pelo conselho.
Sobre recompra de ações, afirmou que a Berkshire seguirá adquirindo papéis quando estiverem abaixo do valor intrínseco estimado de forma conservadora.
Não houve recompras no quarto trimestre de 2025, prolongando uma pausa iniciada em maio de 2024.
Portfólio concentrado e gestão direta
O CEO confirmou que supervisionará diretamente o portfólio de ações. Ted Weschler continuará responsável por cerca de 6% dos investimentos, incluindo posições antes administradas por Todd Combs, que deixou a companhia para assumir cargo no JPMorgan.
A Berkshire manterá carteira concentrada em um grupo reduzido de empresas americanas, entre elas Apple, American Express, Coca-Cola e Moody’s. Bank of America, terceiro maior investimento ao fim de 2025, não foi citado entre as principais posições destacadas.
Abel afirmou que o mesmo critério disciplinado será aplicado à compra de empresas integrais, aquisição de ações no mercado ou recompra de papéis próprios.
Ajustes relevantes poderão ocorrer caso as perspectivas econômicas de longo prazo mudem.
Compromisso de longo prazo
Com 25 anos de trajetória na Berkshire, Abel ingressou na companhia em 2000, após a aquisição da MidAmerican Energy. Tornou-se CEO da empresa de energia em 2008. Antes disso, atuou na CalEnergy.
Ele afirmou que pretende conduzir a Berkshire nas próximas décadas, embora reconheça que não repetirá os 60 anos de liderança de Buffett. Segundo o executivo, o objetivo é que, em 20 anos, a empresa esteja ainda mais forte.
Abel também confirmou que a Berkshire não adotará o modelo tradicional de teleconferências trimestrais. Segundo ele, a companhia prioriza qualidade na comunicação, e não frequência.
No quarto trimestre de 2025, o lucro operacional caiu 29,8%, para US$ 10,2 bilhões. O resultado de subscrição de seguros recuou 54%, e a receita de investimentos em seguros caiu 25%.
A BNSF registrou alta de 5,3%, enquanto os segmentos de manufatura, serviços e varejo avançaram 3,3%.
Estimativa de Chris Bloomstran, da Semper Augustus Investments, aponta que o valor intrínseco da Berkshire atingiu US$ 1,1 trilhão em 2025, equivalente a US$ 855.396 por ação classe A e US$ 570 por ação classe B, cerca de 13% acima das cotações atuais.
:format(webp))