Ciência

Fóssil de 236 milhões de anos pode reescrever a origem dos mamíferos

Pesquisadores encontraram sinais de viviparidade em um cinodonte de 236 milhões de anos, o que pode reescrever a evolução dos mamíferos

Evolução: estudo sugere que ancestrais dos mamíferos já apresentavam reprodução vivípara no período Triássico (Imagem gerada por IA/EXAME)

Evolução: estudo sugere que ancestrais dos mamíferos já apresentavam reprodução vivípara no período Triássico (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 12h18.

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Um fóssil de 236 milhões de anos encontrado na Argentina pode mudar o que a ciência sabe sobre a origem dos mamíferos. Pesquisadores identificaram evidências de que Chiniquodon theotonicus, um ancestral distante dos mamíferos modernos, provavelmente já dava à luz filhotes vivos, uma característica conhecida como viviparidade.

A descoberta foi publicada na última quarta-feira, 12, na revista Frontiers in Mammal Science e indica que esse tipo de reprodução pode ter surgido entre os ancestrais dos mamíferos 90 a 95 milhões de anos antes do que se imaginava.

Evidência surgiu em uma linha de crescimento do fóssil

O estudo começou quando pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), da Argentina, observaram uma marca incomum na estrutura microscópica de um fóssil adulto de Chiniquodon theotonicus.

A característica foi identificada como uma linha neonatal, um tipo de marca de crescimento que, em animais atuais, costuma surgir logo após o nascimento devido à aceleração do desenvolvimento. Segundo os autores, essa é a primeira evidência desse tipo encontrada em um cinodonte.

Para testar a hipótese, a equipe estimou o peso do animal ao nascer e na fase adulta utilizando medidas dos ossos fossilizados e comparou esses valores com dados de milhares de mamíferos, aves e répteis vivos.

Filhote tinha tamanho semelhante ao de mamíferos modernos

Os cálculos indicam que o animal pesava cerca de 1,7 quilo ao nascer e aproximadamente 12 quilos quando adulto. Isso significa que o recém-nascido representava cerca de 14% da massa corporal do adulto.

Segundo os pesquisadores, essa proporção é muito mais próxima da observada em mamíferos placentários do que em répteis ou aves.

Enquanto crocodilos, tartarugas e cobras produzem filhotes que normalmente correspondem a menos de 1% do peso do adulto, mamíferos de porte semelhante podem dar à luz filhotes com proporções próximas às estimadas para o Chiniquodon.

Para os autores, esse padrão reforça a hipótese de que o animal já apresentava um tipo de reprodução semelhante ao dos mamíferos atuais.

O que a descoberta revela sobre a evolução dos mamíferos

Até agora, acreditava-se que o nascimento de filhotes vivos tivesse surgido relativamente tarde na evolução da linhagem dos mamíferos. Os resultados sugerem que essa característica pode ter aparecido muito antes, ainda entre os cinodontes — grupo de vertebrados que viveu durante o Triássico e deu origem aos mamíferos modernos.

Segundo os pesquisadores, isso também levanta a possibilidade de que outras características consideradas típicas dos mamíferos tenham evoluído milhões de anos antes do que se supunha.

Apesar disso, os autores destacam que o estudo analisou um único exemplar e que novas descobertas serão necessárias para confirmar se a viviparidade era comum entre outros cinodontes. Mesmo assim, eles afirmam que o fóssil representa a evidência mais forte já encontrada de que alguns ancestrais dos mamíferos já poderiam dar à luz filhotes vivos há cerca de 236 milhões de anos, muito antes do surgimento dos primeiros mamíferos verdadeiros.

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