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Netflix vê risco de demissões em possível fusão Warner-Paramount

Executivo da plataforma de 'streaming' diz que custo humano seria 'astronômico'

Warner: Netflix e Paramount disputam Warner (Imagem gerada por IA/Freepik)

Warner: Netflix e Paramount disputam Warner (Imagem gerada por IA/Freepik)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 13h41.

Clete Williams, diretor de assuntos globais da Netflix, comentou, no canal Fox Business Network, sobre a possibilidade de a Paramount Skydance comprar a Warner Bros Discovery. Ele alerta que esse tipo de acordo teria um “custo humano astronômico”, ou seja, muitas pessoas poderiam perder seus empregos.

“Eles têm o que chamamos de problema da Arca de Noé, que é: se concretizarem esse acordo, terão dois de tudo”, acrescentou, referindo-se à Paramount.

Segundo Williams, o maior custo de eliminar essa duplicação seria "o custo humano". A Paramount Skydance estimou US$ 6 bilhões em sinergias com a Warner Bros. Discovery.

“Estamos triplicando o número de empregos, enquanto a Paramount cortou 3.500 vagas nos últimos anos”, disse Williams. “A Paramount identificou US$ 6 bilhões em sinergias na oferta que fez, o que, na prática, significa US$ 6 bilhões em cortes de empregos.”

“E, francamente, achamos que será ainda mais do que isso, porque esta será a maior aquisição alavancada da história”, continuou. “Portanto, eles terão que cortar, cortar e cortar.”

A Netflix prevê US$ 2 a 3 bilhões em sinergias, mas suas economias vêm "principalmente de taxas de licenciamento e economias em itens semelhantes". “Não se trata de cortes de empregos”, enfatizou.

Disputa pela Warner Bros

A Netflix e a Paramount estão em uma disputa acirrada para controlar a Warner Bros Discovery, que inclui estúdios de cinema, canais de TV e franquias como Game of Thrones, Harry Potter e os super-heróis da DC.

Para dificultar a entrada da concorrente, a Netflix alterou sua proposta e agora oferece US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões) totalmente em dinheiro, mantendo o valor original, mas eliminando o pagamento em ações.

Com a mudança, cada ação da Warner passará a valer US$ 27,75 (R$ 149,71) em dinheiro, garantindo aos acionistas um valor fixo e eliminando a exposição às oscilações das ações da Netflix. Enquanto isso, a Paramount mantém uma “oferta hostil” de US$ 108,4 bilhões, US$ 30 por ação.

A Warner, por sua vez, rejeitou a oferta da Paramount, destacando como vantagem do acordo com a Netflix a preservação de participação dos acionistas em parte do negócio que não será comprado.

David Ellison, da Paramount Skydance, não pretende desistir sem lutar. Atualmente, o acordo da Netflix com a WB está sob análise regulatória, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior.

Williams comentou à apresentadora da Fox Business, Liz Claman, que toda essa análise regulatória faz parte do "curso normal dos negócios".

“É claro que o Departamento de Justiça vai investigar essa transação e garantir que ela seja boa para nossa economia e para nossos consumidores”, disse ele. “E, pelo que sei, eles também enviaram solicitações semelhantes em relação à Paramount.”

O executivo afirmou que a Netflix está atualmente "em diálogo com os procuradores-gerais dos estados". “Não há nada de anticompetitivo aqui”, disse Williams.

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