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Brasil lidera fusões e aquisições na América Latina com R$ 300 bilhões

País somou 1.877 operações e US$ 56,4 bilhões em capital mobilizado em 2025, segundo levantamento da Aon

 (Montagem EXAME com elemento do Canva)

(Montagem EXAME com elemento do Canva)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 12h00.

O mercado brasileiro de fusões e aquisições voltou a ganhar tração em 2025. No ano passado, o país registrou 1.877 transações, que movimentaram US$ 56,41 bilhões (cerca de R$ 293 bilhões, na cotação atual) segundo relatório da Aon, em parceria com a TTR Data e a Datasite, divulgado com exclusividade pela EXAME.

Os números representam uma alta de 7% no volume de operações e de 15% no valor agregado em relação a 2024, mantendo o Brasil como líder isolado em M&A na América Latina. O país foi um dos poucos mercados da região a registrar crescimento no acumulado do ano.

“Em 2025, o Brasil não apenas manteve sua liderança, mas elevou o capital mobilizado em um movimento que sinaliza uma confiança crescente na capacidade de execução do mercado local”, afirma André Nogueira, líder de M&A and Transaction Solutions da Aon no Brasil.

Segundo Nogueira, o perfil das operações também mudou: maiores, mais complexas e com mais dinheiro envolvido. Por causa disso, os erros também ficaram mais caros. Por isso, compradores e vendedores passaram a ser muito mais rigorosos. Em 2026, a tendência é de operações mais profissionais, com menos improviso e mais proteção contratual.

Os Estados Unidos lideraram os investimentos estrangeiros no Brasil, com 162 aquisições no período.

Os setores que encabeçaram a alta

No topo da lista, a venda da Odata Brasil somou R$ 10,9 bilhões e destacou o apetite global por infraestrutura de dados. O ativo, voltado a hosting, armazenamento e processamento de informações, foi adquirido por um consórcio formado por AI Infrastructure Partners, Global Infrastructure Partners (GIP) e MGX, com capital dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos. A operação apareceu simultaneamente nos rankings de M&A e de private equity, sinalizando a centralidade do setor de data centers nas teses de investimento de 2025.

Já a transação envolvendo a Neoenergia, no valor de R$ 6,39 bilhões, marcou mais um capítulo do movimento de consolidação no setor elétrico brasileiro. A compra foi realizada pela Iberdrola, reforçando a estratégia do grupo espanhol de ampliar sua exposição a ativos de energia em mercados considerados estratégicos. O negócio dialoga com a busca por previsibilidade de receitas e escala em infraestrutura energética.

A venda de estoques, lotes e produtos imobiliários da JHSF, avaliada em R$ 5,23 bilhões, figurou como a quarta maior transação de Fusões e Aquisições no Brasil em 2025. O desempenho da JHSF reforça o peso do setor imobiliário entre as grandes transações do ano, em um mercado dominado por energia, infraestrutura digital e recursos naturais.

Fechando o grupo das maiores operações, a venda dos ativos de mineração da Equinox Gold — que inclui a mina Aurizona, a mina RDM e o Complexo Bahia — alcançou R$ 5,5 bilhões. Adquiridos pelo grupo chinês CMOC, os ativos colocaram o setor de recursos naturais entre os mais relevantes do ano em valor transacionado.

Somadas às operações da JHSF e da Braskem, esta última avaliada em cerca de R$ 20 bilhões, essas transações foram determinantes para que o Brasil mantivesse sua liderança isolada em M&A na América Latina em 2025.

O líder da América Latina

Na América Latina, foram registradas 3 mil transações, entre anunciadas e concluídas, que somaram US$ 119,79 bilhões em 2025. O número de operações cresceu 1%, enquanto o valor agregado avançou 19% na comparação anual, indicando um mercado mais seletivo, com menos negócios, mas tíquetes mais elevados.

Depois do Brasil, o Chile aparece em segundo lugar em volume, com 338 transações, embora com queda de 12% no número de operações e redução de 53% no capital mobilizado, para US$ 6,69 bilhões. O México registrou 307 transações, recuo de 17%, mas apresentou crescimento expressivo de 86% no valor, alcançando US$ 32,51 bilhões. Na sequência estão Colômbia, com 288 transações e US$ 10,03 bilhões; Argentina, com 249 transações e US$ 6,90 bilhões; e Peru, com 167 transações e US$ 4,43 bilhões.

“O mercado latino-americano enfrentou um ano desafiador, com um volume menor de transações, mas com um aumento significativo no valor agregado das operações”, afirma Pedro da Costa, Head de M&A and Transaction Solutions da Aon para a América Latina. Segundo ele, 2025 foi marcado por valuations mais racionais e maior disciplina financeira. “O fechamento dos negócios dependeu da qualidade dos ativos, da resiliência de caixa e, principalmente, dos mecanismos de proteção e mitigação de riscos.”

No recorte de transações internacionais, empresas brasileiras realizaram 58 aquisições nos Estados Unidos, somando US$ 1,53 bilhão, seguidas por operações no Chile. No sentido inverso, Estados Unidos e Reino Unido lideraram os investimentos estrangeiros no Brasil, com 162 e 33 transações, respectivamente.

As aquisições de empresas brasileiras por grupos norte-americanos cresceram 3% em 2025, enquanto as compras estrangeiras nos setores de Tecnologia e Internet recuaram 3%. Já os investimentos de fundos estrangeiros de Private Equity e Venture Capital em empresas brasileiras avançaram 18% no ano.

No mercado doméstico, o segmento de Private Equity registrou 119 transações, que totalizaram US$ 10,21 bilhões, alta de 11% em volume. Em Venture Capital, foram 367 rodadas, que movimentaram US$ 2,61 bilhões. O segmento de Asset Acquisitions somou 352 transações e US$ 13,16 bilhões, crescimento de 14% em relação a 2024.

A transação de maior destaque em 2025 foi a conclusão da aquisição da BASF Coatings pela Sherwin-Williams, avaliada em US$ 1,10 bilhão, segundo a TTR Data.

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