China: mercado escapa de movimento de queda mundial (Leandro Fonseca /Exame)
Redação Exame
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 05h25.
Enquanto as ações globais passaram por liquidação nesta quarta-feira, 21, a China parece ter escapado. Impulsionado por uma nova promessa de Pequim de acelerar avanços em inteligência artificial e fortalecer a produção de tecnologia nacional, o índice STAR 50 saltou 3,5%, atingindo o maior patamar desde outubro.
Já o CSI 300 encerrou o dia em leve alta, mesmo diante da queda de 0,8% no índice asiático de ações e da maior perda do S&P 500 desde outubro.
Empresas do setor de semicondutores lideraram os ganhos. A Loongson Technology avançou 20%, enquanto a Hygon Information subiu 13%. Analistas atribuem o movimento tanto à alta nos preços de memória quanto à narrativa de autossuficiência tecnológica, que ganhou força após novos anúncios do governo.
A valorização ocorreu mesmo com sinais de que autoridades chinesas tentam moderar o ritmo da alta. O volume negociado em ETFs controlados pelo chamado “time nacional” bateu novo recorde, com destaque para os fundos atrelados ao índice CSI 1000. No mesmo dia, reguladores apertaram as regras de financiamento com margem — medida vista como tentativa de conter excessos no mercado.
Para gestores locais, no entanto, o impulso estrutural segue firme. “A tendência de alta continua por falta de alternativas domésticas. A alocação em ações ainda deve crescer”, afirmou Chen Shi, da Shanghai Jade Stone, segundo a Bloomberg.
A gestora americana Bridgewater Associates foi uma das principais beneficiadas pela valorização dos ativos chineses. Seu fundo multiestratégia All Weather Plus, que combina ações, títulos e commodities, fechou 2025 com retorno de 44,5% antes de taxas — o melhor desempenho em cinco anos. Só no quarto trimestre, a alta foi de 9,1%.
Segundo carta enviada a investidores, o fundo superou com folga o índice CSI 300, que subiu 18% no ano. A gestora atribui o desempenho à combinação de políticas pró-crescimento, redução de riscos externos e otimismo gerado por empresas locais de tecnologia, como a DeepSeek.
A exposição a ações teve papel central no resultado, com contribuição de 25,8 pontos percentuais. A gestão ativa da carteira somou outros 17 pontos. Títulos de longo prazo geraram ganhos residuais, enquanto commodities resultaram em perdas moderadas.
A Bridgewater encerrou 2025 com cerca de 60 bilhões de yuans sob gestão no mercado doméstico, consolidando sua liderança entre gestoras internacionais na China. Também fortaleceu seu fundo Asia ex-China, voltado a investidores chineses com foco em outros países da região. A estratégia rendeu 37% no ano, com retorno anualizado de 26% desde 2023.
A perspectiva da gestora para 2026 segue positiva. “Acreditamos que a postura de apoio do governo chinês continuará, e mantemos um leve aumento na exposição a ativos locais de risco”, escreveu a equipe.