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Manufatura e tecnologia lideram grandes fortunas na China em 2025

60% dos 100 maiores patrimônios têm origem em setores ligados à indústria de alta tecnologia

Grandes fortunas da China: relatório destrincha a origem  (SimpleImages/Getty Images)

Grandes fortunas da China: relatório destrincha a origem (SimpleImages/Getty Images)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 17h28.

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Dados do Instituto de Pesquisa Hurun mostram que os bilionários mais ricos da China passaram a ter origem majoritária em setores ligados à manufatura avançada e à produção industrial de alta qualidade. Segundo o relatório, divulgado em outubro de 2025, 60% dos 100 maiores patrimônios têm origem em setores ligados à indústria de alta tecnologia, incluindo veículos de novas energias (NEVs), eletrônicos de consumo, computação, baterias e indústria farmacêutica, o que altera a composição setorial do topo da riqueza privada chinesa.

O ranking de 2025 contabilizou 1.434 indivíduos com riqueza superior a 5 bilhões de yuans (cerca de US$700 milhões), alta de 31% em relação ao ano anterior. O valor total dessas fortunas subiu 42%, alcançando US$4,2 trilhões. Esse crescimento ocorreu em um ano de forte valorização nos mercados de capitais locais, com o índice de Shenzhen subindo 54% e o de Xangai 36%. Entre os listados, 1.021 são bilionários em dólares, 268 a mais que no ano passado. Do total, 1.198 viram sua riqueza aumentar e 376 apareceram pela primeira vez.

O topo do ranking continua concentrado em nomes vindos de consumo, tecnologia e plataformas digitais. Zhong Shanshan, da Nongfu Spring, retomou a primeira posição com US$74,3 bilhões, impulsionado pelo crescimento da marca de água engarrafada, do chá Oriental Leaf e da vacina contra HPV produzida por sua farmacêutica. Zhang Yiming, fundador da ByteDance, ficou em segundo lugar com US$65,9 bilhões, após a empresa ampliar investimentos em inteligência artificial. Pony Ma Huateng, da Tencent, manteve-se entre os três primeiros com US$65,2 bilhões, apoiado no avanço de receitas de publicidade e jogos.

Embora o topo ainda inclua líderes de tecnologia e consumo, o conjunto dos grandes patrimônios mostra uma transição industrial que se reflete inclusive na geografia da riqueza. Pela primeira vez em 14 anos, Pequim perdeu o posto de cidade com maior número de bilionários, sendo superada por Xangai e Shenzhen. Essa migração indica que a fortuna privada está se deslocando do centro político e administrativo para os grandes polos tecnológicos e comerciais. Em 2017, as incorporadoras representavam cerca de um terço do Top 100, mas em 2025, apenas uma empresa do setor permanece neste grupo.

A lacuna deixada pelo mercado imobiliário foi ocupada por empresários de veículos elétricos, baterias e hardware. A CATL, de Zeng Yuqun, e a BYD, de Wang Chuanfu, simbolizam o peso do setor automotivo elétrico, enquanto a Xiaomi, de Lei Jun, registrou o maior avanço individual do ranking, com aumento patrimonial de US$27,5 bilhões. A lista também absorveu novas marcas voltadas ao consumo e à tecnologia de ponta. A Pop Mart, de Grant Wang Ning, cresceu impulsionada pelo sucesso global de seus produtos, Labubu, adicionando US$21,7 bilhões ao patrimônio do fundador. No campo da computação, Chen Tianshi, da fabricante de chips Cambricon, quintuplicou sua fortuna para US$25 bilhões, favorecido pela demanda por inteligência artificial.

Esse movimento coincide com a trajetória industrial do país. Desde o final da década de 2010, a China ampliou investimentos em eletrificação, semicondutores e novos materiais, consolidando sua posição em cadeias globais de hardware. O resultado representa uma diversificação da base de geração de fortunas, onde a elite econômica passa a refletir um país que combina plataformas digitais com capacidade fabril e energia. A edição de 2025 indica que a riqueza na China está agora mais associada à produção industrial de alto valor agregado do que ao setor imobiliário, que atravessa um ciclo negativo.

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