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Mercados sobem com plano de paz dos EUA no Oriente Médio

Futuros do S&P 500 avançam 0,8% e petróleo WTI despenca 5% após governo americano divulgar proposta de cessar-fogo no Oriente Médio; cautela persiste diante da postura do Irã

Bolsa de valores: plano americano de 15 pontos para encerrar o conflito com o Irã reduziu a aversão ao risco. (	Bloomberg/Getty Images)

Bolsa de valores: plano americano de 15 pontos para encerrar o conflito com o Irã reduziu a aversão ao risco. ( Bloomberg/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 25 de março de 2026 às 09h04.

A perspectiva de um cessar-fogo no conflito entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã impulsionou os mercados globais nesta quarta-feira, 25, após os EUA elaborarem um plano de 15 pontos para encerrar as hostilidades.

O movimento reduziu, a priori, a aversão ao risco entre investidores e provocou queda expressiva no preço do petróleo, enquanto bolsas na Europa e na Ásia registram ganhos, refletindo certo alívio dos mercados.

Índices e ativos

Os futuros do S&P 500 avançaram 0,90% e os do Nasdaq 100 subiram 1%, ao passo que os contratos futuros do Dow Jones registraram alta de 0,9%.

Na Europa, o Stoxx 600 subiu 1,6%, encaminhando-se para o terceiro pregão consecutivo de ganhos desde o início do conflito.

No mercado de renda fixa, o rendimento dos títulos públicos de dez anos dos EUA, Treasuries, caiu três pontos-base, a 4,33%.

A queda no preço do petróleo, ademais, foi o principal catalisador para uma revisão das expectativas sobre a política monetária: o óleo do tipo West Texas Intermediate, referência nos EUA, desabou 5,1%, a US$ 87,62 o barril.

Agora, os mercados precificam menos de 20% de chance de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2026, conforme a agência.

Cautela no mercado

Apesar da recuperação, o S&P 500 segue no caminho para registrar a maior perda mensal em um ano. O cenário mantém o humor dos investidores dividido entre o alívio do dia e a incerteza estrutural do conflito.

O diretor de investimentos da ABN Amro Investment Solutions, Christophe Boucher, vê que "há uma recuperação do apetite por risco esta manhã, (...) mas para nós este não é o momento de comprar o rali."

Ele ponderou à Bloomberg que o avanço reflete, em grande parte, a reação de algoritmos às palavras-chave "paz", "negociação" e "cessar-fogo".

Head de estratégia do Singular Bank, Roberto Scholtes acrescentou que os mercados de renda fixa e de ações ainda embutem cenários distintos para o conflito.

"Essas perspectivas devem convergir quando a visibilidade melhorar, provavelmente retornando a um cenário mais benigno", detalhou Scholtes à agência.

Geopolítica ainda em aberto

O avanço dos mercados ocorre em um contexto ainda instável. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo, permanece fechado, e o Irã manteve ataques a países vizinhos.

Autoridades do regime sinalizaram que a República Islâmica não está disposta a negociar no momento.

O head de estratégia europeu do Santander Asset Management, Francisco Simón, afirmou, neste cenário, que a sustentabilidade do rali depende de uma resposta construtiva por parte do Irã.

"O desfecho não depende exclusivamente dos EUA."Francisco Simón, head de estratégia europeu do Santander Asset Management

"A paisagem geopolítica regional permanece complexa, envolvendo múltiplos atores — sobretudo o Irã, que mantém poder de barganha relevante —, introduzindo uma camada adicional de risco, particularmente pelo canal energético."

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