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IPCA no Brasil e payroll nos EUA: o que move os mercados

Indicadores de inflação e mercado de trabalho concentram as atenções dos investidores no Brasil e no exterior

As atenções se voltam para a divulgação do IPCA, às 9h, e do payroll, às 10h30 (Getty Images)

As atenções se voltam para a divulgação do IPCA, às 9h, e do payroll, às 10h30 (Getty Images)

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 05h30.

Mesmo com o retorno ainda gradual dos investidores após o recesso de fim de ano, a sexta-feira, 9, começa com uma agenda econômica de peso, com potencial para influenciar os mercados no Brasil e no exterior. No radar estão dois indicadores amplamente aguardados — o Índice de preços ao consumidor (IPCA) de dezembro e o payroll dos Estados Unidos.

No Brasil, as atenções se voltam para a divulgação do IPCA, às 9h. O dado deve trazer pistas importantes sobre a dinâmica inflacionária e o ritmo da atividade no fim do ano, além de influenciar as apostas sobre o rumo da taxa básica de juros, a Selic.

As projeções levantadas pela EXAME indicam alta mensal próxima de 0,31%, com variações entre 0,30% e 0,35%, impulsionadas por fatores sazonais.

A leitura de dezembro tende a mostrar aceleração frente a novembro, quando o IPCA ficou em 0,18%. Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses deve recuar para a faixa entre 4,2% e 4,3%, abaixo dos 4,46% registrados anteriormente e inferior aos 4,8% de 2024.

Caso as estimativas se confirmem, 2025 pode terminar dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central — de 1,5% a 4,5%, com centro em 3% — algo que não ocorre desde 2023.

O que acompanhar

Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho, que dominou a agenda durante a semana, também concentra as atenções nesta sexta.

Após uma semana marcada pela divulgação do relatório ADP de empregos privados, do Jolts e dos pedidos de seguro-desemprego — todos considerados dentro da normalidade —, os investidores aguardam com ansiedade o relatório oficial de empregos, o payroll, que será divulgado às 10h30.

O consenso de mercado aponta para a criação de cerca de 66 mil vagas em dezembro, com ganho médio por hora em torno de 0,3% e taxa de desemprego estimada em 4,5%, nível ainda abaixo do ideal, mas em trajetória de melhora.

Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o payroll é o indicador mais relevante da semana e tem potencial de trazer volatilidade aos mercados. Segundo ele, números muito acima ou muito abaixo do esperado podem provocar reações mais intensas.

A projeção da casa é de um resultado em linha com o consenso, o que, em princípio, não teria força para alterar a sinalização de pausa nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Mollo ressalta, porém, que um mercado de trabalho significativamente mais fraco poderia aumentar a pressão por cortes de juros, especialmente em um contexto político no qual o presidente Donald Trump defende uma redução mais agressiva das taxas. Nesse cenário, ativos de risco poderiam reagir de forma positiva, diante da migração de recursos da renda fixa para a renda variável.

Além do payroll, os investidores acompanham outros indicadores importantes ao longo da manhã nos Estados Unidos, como os dados de construções de moradias iniciadas e permissões para novas obras, ambos às 10h30.

Às 12h, saem o índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan e as expectativas de inflação para janeiro, que ajudam a calibrar a leitura sobre confiança e preços à frente.

No cenário internacional, também entram no radar os dados de vendas no varejo de novembro na zona do euro, às 7h, que podem oferecer sinais adicionais sobre o ritmo da atividade econômica na região.

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