Mundo

Direita avança na França em eleições municipais que indicam rumos do país

Pleito local mostram quais partidos poderão chegar com mais força para as presidenciais de 2027, que definirão sucessor de Macron

Montagem com os candidatos Emmanuel Gregoire e Rachida Dali (Joel Saget/AFP)

Montagem com os candidatos Emmanuel Gregoire e Rachida Dali (Joel Saget/AFP)

Publicado em 15 de março de 2026 às 19h12.

A extrema-direita liderava, neste domingo (15), o primeiro turno das eleições municipais em várias cidades do sul da França, segundo as primeiras estimativas deste pleito, que poderia ver Paris se inclinar para a direita após 25 anos de administração da esquerda.

Embora estas eleições costumem seguir lógicas locais, com chapas não partidárias na maioria das 35.000 localidades francesas, a votação permite sentir o peso dos partidos antes das presidenciais de 2027.

O eurodeputado de extrema-direita Jordan Bardella lidera as pesquisas para as eleições presidenciais, nas quais o presidente Emmanuel Macron, de centro-direita, não poderá se candidatar, e tampouco a líder da extrema-direita Marine Le Pen, até o momento inabilitada judicialmente.

"A mudança não espera 2027. Começa no próximo domingo", disse Bardella neste domingo, após pedir votos no segundo turno para "prefeitos profundamente patriotas, que serão a voz da alternância e da recuperação".

No sul da França, os prefeitos de seu partido, Reagrupamento Nacional (RN), em Perpignan, Louis Aliot, e em Fréjus, David Rachline, foram reeleitos no primeiro turno, segundo as primeiras estimativas.

Mas o partido de Marine Le Pen poderia vencer em outras cidades do Mediterrâneo, como Toulon e Nimes, ao liderar as apurações no primeiro turno.

Um bom resultado reforçaria o partido de Le Pen com vistas às presidenciais de 2027. As legislativas antecipadas de 2024, que provocaram uma crise profunda na França, já o tinham confirmado como um dos três principais blocos políticos, junto com a esquerda e a centro-direita.

Baixa participação

Quase 49 milhões de pessoas estavam habilitadas a votar nestas eleições que, segundo Marta Lorimer, professora da Universidade de Cardiff, são acompanhadas na União Europeia para medir "em que ponto a França está a um ano de eleições cruciais para o futuro da Europa".

Uma das primeiras surpresas foi a participação. Entre 56% e 58,5% dos eleitores foram às urnas no primeiro turno, um dos percentuais mais baixos desde meados do século XX, à frente apenas das eleições de 2020, em plena pandemia da covid-19.

"Não é uma boa notícia" para a democracia, advertiu Adélaïde Zulfikarpasic, analista da Ipsos Bva, para quem a baixa se participação se deveu à crise política e ao contexto internacional da guerra no Oriente Médio, que ofuscou a campanha.

Em Paris, nas mãos da esquerda desde 2001, o deputado socialista Emmanuel Grégoire espera suceder à atual prefeita, Anne Hidalgo, que se negou a disputar o terceiro mandato, com um programa de continuidade junto com ecologistas e comunistas.

Grégoire lidera as pesquisas, que tampouco descartam uma vitória de sua principal adversária, a ex-ministra conservadora Rachida Dati, que fez da alternância e das críticas à insegurança e à sujeira de Paris os principais temas de sua campanha.

Alianças cruciais

À espera dos primeiros resultados em Paris, as pesquisas durante a campanha antecipavam que outros três candidatos poderiam passar a marca de 10% dos votos e chegar ao segundo turno, razão pela qual as possíveis alianças entre o primeiro e segundo turno serão cruciais para chegar à Prefeitura.

A mesma situação se repete nas principais cidades da França. Os ecologistas voltam a disputar as Prefeituras conquistadas em 2020, durante a "onda verde", como Lyon e Estrasburgo.

Os diálogos e as eventuais alianças durante o segundo turno serão "uma antecipação do que veremos no próximo ano", afirmou Mujtaba Rahman, diretor para a Europa da consultoria Eurasia Group, em alusão às eleições presidenciais.

Na esquerda, repetir as alianças das legislativas de 2022 e 2024 com o partido da esquerda radical A França Insubmissa (LFI) parece difícil devido à polêmica sobre as suspeitas de antissemitismo de seu líder, Jean-Luc Mélenchon.

No fechamento das seções, o deputado da LFI estendeu a mão a outras chapas da esquerda, "onde a direita e a extrema-direita representem uma ameaça".

As eleições municipais poderiam reafirmar as ambições presidenciais do ex-primeiro-ministro de Macron, Édouard Philippe, candidato à reeleição na cidade portuária de Le Havre, onde venceu o primeiro turno.

Com AFP.

Acompanhe tudo sobre:FrançaEleições

Mais de Mundo

Trump diz que Marinha do Irã foi destruída e ameaça novos ataques

Prazo de Trump termina e bloqueio naval contra o Irã entra em vigor

Netanyahu apoia bloqueio naval dos EUA contra o Irã em rota estratégica de petróleo

Cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia acaba após 32 horas e troca de acusações