O dólar à vista encerrou esta segunda-feira, 5, em queda de 0,34%, cotado a R$ 5,405 (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 17h22.
O dólar à vista encerrou esta segunda-feira, 5, em queda de 0,34%, cotado a R$ 5,405, após um dia marcado por volatilidade e pela repercussão da invasão dos Estados Unidos à Venezuela, realizada no sábado, 3 que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.
Apesar do recuo no fechamento, a moeda americana iniciou o pregão em alta no mercado doméstico e chegou a atingir R$ 5,454 nas primeiras duas horas de negociação, refletindo a cautela dos investidores diante do aumento do risco geopolítico.
O movimento, no entanto, perdeu força ao longo da sessão, especialmente no início da tarde, acompanhando a melhora do humor nos mercados internacionais.
Segundo Luis Castro da Fonseca, sócio-fundador da Nest Asset Management, o comportamento do câmbio esteve diretamente ligado ao desempenho dos mercados globais.
"Se você olhar de manhã, os mercados lá fora abriram mais fracos em geral. Aqui estava meio no zero a zero, assim como o índice de emergentes. Depois, conforme o mercado lá fora foi melhorando [no exterior], todos os emergentes, inclusive o Brasil, passaram a subir", afirmou Fonseca.
Com isso, a moeda americana passou a recuar frente ao real. O movimento também foi observado no exterior. O dólar apresentou alta no início do dia no índice DXY, que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, mas perdeu fôlego ao longo da sessão, encerrando o dia com queda de 0,15%.
Na avaliação de Fonseca, a operação dos Estados Unidos na Venezuela levanta duas questões centrais para os mercados. A primeira é de natureza política. "Existe um risco associado à ideia de que, se os Estados Unidos tiraram o presidente da Venezuela, o que impediria de fazer o mesmo em outros países?", disse.
Para ele, esse questionamento deve permanecer no radar dos investidores por meses, sem uma resposta imediata.
Apesar disso, o gestor avalia que o impacto geopolítico mais relevante no momento é econômico, especialmente no mercado de petróleo. Após décadas de queda de produção e falta de investimentos, a Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, pode voltar a ser um player relevante no setor.
"Você tinha um produtor potencialmente gigantesco fora do mercado. A possibilidade de retorno da Venezuela é muito ruim para o preço do petróleo no longo prazo", afirmou.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado de câmbio começou o dia pressionado justamente pelo risco geopolítico, mas o cenário mudou ao longo do pregão.
"A tendência se reverteu com o bom humor das bolsas globais e a valorização das commodities, com destaque para o petróleo", afirmou.
Segundo Shanini, a queda ganhou força após a divulgação de um índice de atividade industrial nos Estados Unidos abaixo do esperado, o que enfraqueceu o DXY e abriu espaço para a valorização do real.
O índice de atividade industrial (PMI, na sigla em inglês) dos EUA, elaborado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), caiu para 47,9 em dezembro, ante 48,2 em novembro, segundo pesquisa divulgada nesta segunda.
O resultado de dezembro contrariou a expectativa de analistas, que previam alta do índice a 48,7. A leitura abaixo de 50 sinaliza que o setor manufatureiro norte-americano permaneceu em contração pelo décimo mês consecutivo em dezembro.
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.