Dólar vira e passa a cair: (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 19 de março de 2026 às 12h38.
O Ibovespa e o dólar inverteram o sinal no começo da tarde desta quinta-feira, 19, acompanhando uma melhora parcial do humor externo. Após abrir em forte queda, de mais de 1%, o principal índice acionário da B3 reduziu as perdas e, por volta das 12h40, recuava 0,62%, aos 178.571 pontos, enquanto a moeda americana também virou para queda e pouco depois passou a rondar a estabilidade com leve alta de 0,19%, a R$ 5,257, distante da máxima do dia, de R$ 5,31.
O alívio ocorreu nos últimos minutos de negociação, em linha com o exterior. Os preços do petróleo diminuíram o ritmo de alta, afastando-se das máximas intradiárias próximas de US$ 119, o que ajudou a reduzir a pressão sobre os juros dos Treasuries e trouxe algum fôlego aos ativos de risco.
Os contratos da commodity, contudo, ainda operavam em alta. O Brent subia 3,31%, a US$ 110,90 o barril, enquanto o WTI avançava 0,83%, a US$ 97. A desaceleração dos ganhos contribuiu para a melhora do apetite por risco, após uma abertura marcada por forte aversão diante da escalada das tensões no Oriente Médio.
Na bolsa brasileira, o peso das petroleiras ajudou a limitar as perdas. As ações da Prio subiam 3,71%, enquanto os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançavam cerca de 3%, sustentando o índice.
Segundo Flávio Conde, da Levante Investimentos, a melhora dos ativos reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. "O petróleo recuou cerca de dois dólares, o que ajudou. A bolsa americana reduziu as perdas e o dólar, que chegou a R$ 5,30 pela manhã, voltou para a casa de R$ 5,24. Os juros futuros também cederam um pouco, embora ainda estejam em patamar elevado", afirmou.
O analista destaca ainda que o desempenho relativo do mercado brasileiro tem sido beneficiado pela forte presença de empresas ligadas ao petróleo na composição do índice. "O Ibovespa tem cerca de 16% de peso em petroleiras, o que faz com que ele caia menos do que outros mercados quando o petróleo sobe", disse o analista.
Além do cenário geopolítico, os investidores monitoram decisões de política monetária ao redor do mundo. Bancos centrais como o da Inglaterra e o Banco Central Europeu devem manter os juros inalterados, enquanto avaliam os impactos inflacionários do conflito.
Nos Estados Unidos, dados divulgados nesta manhã mostraram que os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 205 mil na semana encerrada em 14 de março, abaixo das expectativas do mercado, o que reforça a resiliência da economia americana e sustenta a postura cautelosa do Federal Reserve em relação a cortes de juros.
Ontem, o BC americano, o Federal Reserve (Fed) manteve, pela segunda reunião consecutiva, a taxa básica de juros do país no intervalo de 3,50% a 3,75%.
No Brasil, o mercado também repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, sinalizando o início de um ciclo de afrouxamento monetário, ainda condicionado ao comportamento da inflação e ao cenário externo mais volátil.